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Categoria: Histórias

26/10 Franz Liszt

Liszt seria um paladino da vanguarda erudita, afirma trineta do compositor


Nike Wagner dirige festival Pèlerinages de Weimar


Compositor sempre se definiu como músico do futuro e apoiou as obras de seus contemporâneos, diz Nike Wagner em entrevista à Deutsche Welle. "Também hoje ele estaria nos centros da Música Nova."


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Categoria: Histórias

10/11 Berlim de olhos vendados

Passeio de olhos vendados privilegia os sons e a música de Berlim


Projeto "Gehörte Stadt" explora os sons de Berlim


Projeto na capital alemã tem por objetivo despertar a atenção para a diversidade de sons urbanos. Além do passeio, um concerto musical e uma massagem auditiva fazem parte da experiência.


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Categoria: Histórias

13/04 Casa da Ópera

Livro revela Alemanha como o país das casas de ópera


 Existem cerca de 80 companhias de ópera permanentes na Alemanha. Trata-se de uma riqueza cultural única no mundo. É possível visitar todas? Sim, por meio de uma viagem pelo interior do país e de uma leitura divertida.


Alguns falam abertamente sobre um "infarto cultural", sobre a necessidade ou não de medidas de economia em teatros e museus. Outros preferem olhar para o que o cenário cultural alemão tem a oferecer.
 
O jornalista Ralph Bollmann dedicou-se durante anos de corpo e alma ao teatro musical e, numa espécie de busca pessoal, visitou quase todas as casas de ópera da Alemanha. Não somente os grandes palcos nas metrópoles, pelo contrário: foram justamente as óperas de província que o cativaram.
 
Suas andanças estão agora registradas no livro Walküre in Detmold (Valquírias em Detmold, em tradução livre), lançado recentemente na Alemanha pela Editora Klett-Cotta.
 
Príncipes e mecenas
 
Em suas viagens, ele descobriu algo impressionante: a coragem de pequenos teatros em realizar produções complexas e o entusiasmo incansável do público. Pois, ao contrário de todos os prenúncios de que Fidelio ou Aida seriam algo somente para a elite burguesa, as salas estão sempre lotadas.
 
A cada ano, cerca de 10 milhões de pessoas visitam teatros musicais como óperas, operetas e musicais - a mesma quantidade de torcedores que assistem aos jogos da Bundesliga.
 
A diversidade teatral entre Flensburg e Passau, Krefeld e Chemnitz - ou seja, respectivamente de norte a sul, de oeste a leste - é um legado histórico. Quase metade das casas de ópera alemãs é composta por antigos teatros da corte, fundados e patrocinados por pequenos ou grandes soberanos para elevar sua própria glória.
 

 

Ostentação principesca
 
As casas de ópera se juntaram a palácios senhoriais, coleções de arte de valor inestimável e bibliotecas como parte da ostentação principesca. Somente no século 19, patronos da educação e comerciantes abastados entraram em cena, fundando os chamados teatros municipais. Desenvolveu-se então o que até hoje caracteriza a paisagem cultural alemã: seu colorido, mas também uma espécie de mecenato moderno.
 
Uma rede inigualável de teatros municipais e federais é financiada na Alemanha por estados e municípios. Que a ópera, como muitas vezes se afirma, sobreviveu a todos os sistemas políticos não é de todo verdade.
 
Na antiga Alemanha Oriental, por exemplo, teatros multigêneros foram fundados pelas forças de ocupação soviéticas - "mas com o comunismo eles vieram, e com o comunismo eles se foram", escreveu o autor Bollmann. Houve um falta de identificação e de dinheiro.
 
Cachês e patrocinadores
 
Também no teatro musical, o desejado dinheiro desempenha um papel importante. Obviamente ele não circulou e não circula de forma abundante em todos os lugares. Os recursos são escassos em muitos municípios. Principalmente no leste da Alemanha registram-se tendências decrescentes e deprimentes. Para economizar em cachês, tais cidades preferem, eventualmente, contratar atores que sabem cantar um pouco no lugar de verdadeiros profissionais de óper
 
Nessas cidades, acontece de a orquestra voltar para casa depois de ver a sala quase vazia. Os teatros são banidos para a periferia, em salas improvisadas ou escuras. Os teatros têm que se fundir ou ser fechados.
 
E muito além das grandes manchetes, uma guerra cultural também se desenvolve no interior do país. Quando o teatro é subversivo e político, ele passa a desagradar grupos neonazistas locais, que não poupam ataques contra artistas participantes.
 
Há também exemplos bem diferentes: auditórios magníficos, público culto e abastado. Ou simplesmente formado por entusiastas do teatro, que apoiam "seus" palcos municipais, querendo mantê-los vivos.
 
"Um pequeno milagre"
 
Os petiscos oferecidos durante as pausas deixam, no entanto, a desejar: espumantes muito doces e pães velhos e secos. Nesse quesito, o autor Bollmann olha com inveja para os destaques culinários nos foyers de Londres ou Milão.
 
Mas, acima de tudo, com seu livro divertido e informativo, ele deixou claro que mesmo que os sons vindos do fosso de orquestra ecoem ralos e estridentes, mesmo que cantoras e cantoras lutem, ocasionalmente, contra os desafios de seus papéis, muito pode ser descoberto nos palcos de óperas alemães.
 
E pode-se conhecer muita música maravilhosa por ali, onde o teatro não é somente província, mas sim onde "todas as noites acontece um pequeno milagre".
 
Autora: Cornelia Rabitz (ca)
 Revisão: Mariana Santos


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Data 09.04.2012
Autor Carlos Albuquerque


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Categoria: Histórias

Capa

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DVD produção:Katia Farias -51 3392.0961


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Categoria: Histórias

24/06 Joseph Haydn

Cultura 

Redescobrindo o compositor

  

 Joseph Haydn

 

 200 anos depois

  'Papa Haydn' num guache de J. Zitterer Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: 'Papa Haydn' num guache de J. Zitterer

Homem simpático e organizado,  

 o pai do classicismo musical vienense

 é muitas vezes considerado "inofensivo".

Ledo engano.

Com muito humor e efeitos inesperados,

vale a pena reencontrar sua música,

dois séculos depois.

 

Ao falecer aos 77 anos de idade, em 31 de maio de 1809, em Viena, Joseph Haydn era o mais popular e, sem dúvida, também um dos mais abastados compositores da Europa. Sua música era executada em todo o continente, o público aclamava cada nova obra com entusiasmo. Altezas imperiais convidavam à sua mesa o filho de um artesão e de uma cozinheira.

Como os tempos eram de instabilidade política, somente duas semanas após seu sepultamento, em 1º de junho, no cemitério de Hundsthurm, pode ser realizada uma cerimônia na igreja Schottenkirche. A missa foi solenemente acompanhada pelo Réquiem de Mozart.

O crânio furtado

Sarcófago do compositor em EisenstadtBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Sarcófago do compositor em Eisenstadt

No entanto, o que aconteceria em seguida com os restos mortais de Haydn pertence antes à categoria do grotesco. Um conhecido seu, Joseph Carl Rosenbaum, era adepto da frenologia, doutrina criada pelo médico alemão Franz Joseph Gall. Entre outros apectos, ela se baseava na forma craniana.

Naquele junho mesmo, Rosenbaum abriu o túmulo do compositor e roubou sua cabeça. Somente em 1820, quando os Esterházy se propuseram a transferir os restos mortais, deu-se por sua falta. Descoberto em 1895, o crânio do venerável compositor foi guardado como relíquia durante décadas pela Sociedade dos Amantes da Música de Viena.

Não foi antes de 1954 que a caixa óssea pôde unir-se ao corpo, num magnífico sarcófago, no mausoléu mandado construir pela família de seus empregadores, os nobres Esterházy, na Bergkirche de Eisenstadt.

O que é "Hob."?

Mal o compositor falecera, já começava a idolatria haydniana. Foram lançadas as primeiras biografias, escritas por seus contemporâneos Georg August Griesinger, Albert Christoph Dies e Giuseppe Carpani. Essas ainda se baseavam no contato pessoal com o compositor, através de conversas ou cartas.

Em contrapartida, foi preciso esperar até meados do século 20 por uma publicação das obras completas ou por estudos consequentes sobre o músico.

O mesmo se aplica à aparição de um catálogo confiável de todas as suas obras. Só em 1957 Anthony von Hoboken publicou pela editora alemã Schott o primeiro dos três volumes de seu catálogo temático-bibliográfico - o último teria que esperar até 1978.

O trabalho monumental do musicólogo está registrado na sigla que acompanha as obras do mestre clássico - por exemplo: A Criação, Hob. 21/2 - identificando-as de forma unívoca. Hoboken possuía a maior coleção existente de obras de Haydn, a qual doou ao arquivo da Coleção de Música da Biblioteca Nacional Austríaca.

"Papa Haydn! Papa Haydn!"

Hino Nacional tem melodia de HaydnBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Hino Nacional tem melodia de Haydn

Hoje, Haydn é um clássico, gravado na memória coletiva, por exemplo, através da melodia do Hino Nacional Alemão, de sua autoria. E, no entanto, poucos músicos foram, postumamente, submetidos de tal forma à montanha-russa das apreciações: entre o positivo e o negativo, entre a idealização e o desprezo.

Os músicos da orquestra do castelo de Esterházy tinham o hábito de chamar "Pai" a seu mestre-de-capela, numa demonstração de carinho e respeito. Com a mesma admiração profissional e pessoal, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) se dirigia ao veterano, fundador da sinfonia e do quarteto de cordas clássicos, como "Papa Haydn".

Ainda em vida, o músico era acompanhado por essa etiqueta paternal, repetida, segundo consta, até mesmo por um papagaio que comprara em Londres.

Estranhamente, a reverência reverteu numa condescendência que perdura até os nossos dias. Ela deu origem a uma imagem tão persistente quanto equivocada: um clássico antiquado e maçante, que deixou composições bastante agradáveis, porém "inofensivas".

Humor humano

A música de Joseph Haydn pode ser tudo, menos anódina. Sua obra é imponente: pelo menos 104 sinfonias, quatro grandes oratórios, uma dúzia de óperas, centenas de canções e um volume enorme de música de câmara.

Haydn foi um músico admirado, que criou gêneros totalmente inéditos em sua época, que não se curvava a nenhuma regra teórica. E que sabia como poucos traduzir em sons o humor e a comicidade. Contrapondo expectativas e surpresas, o convencional e o anticonvencional, simetrias e assimetrias, ele fazia seu público rir.

Acrescente-se a isso efeitos sonoros inusitados, o jogo com o silêncio e com o tempo, os eventos dinâmicos drásticos. Poder-se-ia definir o humor haydniano como um mundo de fundos falsos e alçapões. Mas quando um desses alçapões se abre, não se cai no abismo, mas sim no humano.

"Não quero intimidades com esses nobres"

Haydn em viagem à Inglaterra, 1º de janeiro de 1791Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Haydn em viagem à Inglaterra, 1º de janeiro de 1791

Haydn nasceu em 31 de março de 1732, na aldeia de Rohrau, na fronteira entre a Áustria e a Hungria, um entre 12 irmãos. Não recebeu uma formação sistemática, porém nada tinha de simplório. Pelo contrário: graças a seus esforços autodidatas, o músico alcançou um alto nível cultural.

Ele conhecia muito bem as tendências de sua época e estava em perfeito compasso com ela, não só musicalmente. Testemunha disso é a respeitável biblioteca que deixou.

Seus contemporâneos descreveram seu caráter como amigável, informal, engraçado e modesto. Ele era, além disso, bom homem de negócios, econômico, patriótico, religioso, aplicado e organizado. Apesar de, em suas últimas duas décadas de vida, haver sido cumulado de honrarias, adulado por imperadores, reis, príncipes e outras personalidades importantes, jamais se deixou impressionar.

"Não quero intimidades com essas pessoas", escreveu certa vez, "prefiro estar com a gente de minha classe."

À sombra do Titã e do menino-prodígio

Hoje em dia, a imagem de Joseph Haydn é ambivalente. Por um lado, continua celebrado como o verdadeiro criador do classicismo vienense. Por outro, jamais conseguiu sair da sombra super-humana de Mozart e Beethoven - os quais, por sua vez, sempre apontaram o compositor mais velho como seu ponto de partida.

Montagem de 2007 da ópera 'Orlando Paladino' em VienaBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Montagem de 2007 da ópera 'Orlando Paladino' em Viena

Se Beethoven foi transformado pela posteridade em "Titã da Música", e Mozart permaneceu o "menino-prodígio", com Haydn ficava difícil aplicar tais rótulos. Ainda em 1870, o crítico musical Eduard Hanslick o definia como "um vovô sacudido, bonzinho, simpático que dava vontade de beijar". E assim nascia um clichê fatídico.

Naquela época, os hábitos auditivos já haviam se modificado em relação ao tempo haydniano: a entrega deleitada assumia o lugar da compreensão ativa. E hoje em dia praticamente apenas sua obra sinfônica de maturidade desperta o interesse dos músicos e organizadores de concertos.

Mas nas últimas décadas representantes da "prática de execução historicamente informada" - como Nikolaus Harnoncourt, Frans Brüggen, Roger Norrington, Trevor Pinnock - começaram a trazer à tona um Haydn novo, inesperado. Para além de clichês petrificados e dos preconceitos auditivos, é possível redescobrir, hoje, a obra haydniana, em sua profunda humanidade.

Autor: Dieter David Scholz / Augusto Valente
Revisão: Carlos Albuquerque    Deutsche Welle


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