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Categoria: Histórias

31/05 Daniel Barenboim, 65 anos em 2007: perfil humanista

  

"Quero diminuir

  

 o ódio":

 

Daniel Barenboim

  

 faz 65 anos

 

Além de regente e pianista mundialmente aclamado, ele é também o autor de diversas iniciativas pela paz no Oriente Médio e a educação através da música. Para Barenboim, a música é uma forma de ultrapassar fronteiras.

Daniel Barenboim é um verdadeiro cidadão do mundo. Judeu israelense-argentino de ascendência russa, ele tem por hábito questionar a forma como os fatos se lhe apresentam, tanto na qualidade de músico quanto na de ente político.

Nesta quinta-feira (15/11), o diretor musical da Deutsche Staatsoper, titular da orquestra Staatskapelle Berlin e pianista de exceção completa 65 anos.

Criança-prodígio, fenômeno

Em 13 de junho de 1968, ao lado da violoncelista Jacqueline du Pré, então sua esposaBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Em 13 de junho de 1968, ao lado da violoncelista Jacqueline du Pré, então sua esposa"A música pode ser a melhor escola para a vida, e ao mesmo tempo a melhor forma de escapar-lhe." Esta frase não só conclui a autobiografia de Barenboim, como é o leitmotiv de suas 330 páginas.

Ao abandonar Buenos Aires com a família para se radicar em Israel, aos 10 anos, seu caminho passa por Salzburgo. Lá o "menino-prodígio" dá o primeiro concerto como pianista. Dois anos mais tarde o grande maestro alemão Wilhelm Furtwängler o vê regendo e fala de um "fenômeno".

Daniel torna-se aluno-modelo da "escola musical da vida" e assim se expõe às feridas do mundo. Um fato com que muitos de seus compatriotas em Israel não se conformam até hoje.

O anti-semita em Jerusalém

Em 2001, ele causa um escândalo de proporções internacionais ao reger com a Staatskapelle Berlin um trecho do Tristão e Isolda de Richard Wagner em Jerusalém. Trazer o compositor anti-semita ao país dos sobreviventes do Holocausto é uma quebra de tabu sem precedentes. As conseqüências são críticas, insultos e chamados ao boicote.

Mais tarde Barenboim explicará: ele se decidira a apresentar Wagner na véspera após, durante uma coletiva de imprensa, ouvir um toque de celular: a Cavalgada das Valquírias, do mesmo compositor alemão.

Música como transgressão de fronteiras, linguagem lá onde as palavras talvez não digam o suficiente.

Orquestra goetheana

Em 1999, Daniel Barenboim reuniu em Weimar - a apenas poucos quilômetros do antigo campo de concentração de Buchenwald - israelenses, sírios, jordanianos, egípcios e palestinos numa orquestra jovem. Em alusão ao escritor Wolfgang Goethe, o grupo recebeu o nome West-Eastern Divan Orchestra.

Para o músico natural da Argentina, trata-se de um "esperançoso sinal para o futuro", onde, num conflito pleno de ódio, quase ninguém conhece as pessoas "do outro lado".

Há apenas dois critérios de admissão na West-Eastern Divan: competência musical e o ponto de vista de que a guerra não é um meio de resolver os conflitos no Oriente Médio. Ao longo de poucos anos, a orquestra já tocou em numerosos países.

Beethoven pela paz

Em 2002, em Ramallah, Barenboim executou para um público de estudantes a Sonata "Ao luar", de Ludwig van Beethoven. A capital "de fato" da Palestina encontrava-se então marcada por combates.

"Não sou político", declarou ao jovem público. Mas, apesar de não ter um plano para acabar com o conflito, é capaz de fazer música, continuou. "E espero contribuir um pouco para diminuir o ódio."

Há anos existe em Ramallah, e recentemente também em Berlim, um jardim-de-infância especial, iniciado por ele. Sua finalidade não é a educação musical, mas sim a educação através da música. "Pois não acho bom que a música seja feita ou para ricos ou para pobres."

Humanista distanciado

O maestro lamenta que as aulas de música sejam as menos freqüentadas nas escolas alemãs. Segundo ele, o fato demonstra que o ensino se tornou vítima da burocracia.

Em seus concertos na Filarmônica de Berlim, o músico de 65 anos parece menos acessível do que os colegas Simon Rattle ou Ingo Metzmacher. Porém o mais idoso deste triunvirato de grandes regentes continua sendo o que mais se preocupa em divulgar a mensagem humanista, nos talkshows e debates políticos de que participa. (av) Deutsche Welle


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Categoria: Histórias

01/06 A arte dos esquecidos

  

Arquivo recupera memória

  

 da música banida pelos

  

nazistas

 

Por trás de cada nota, uma biografia Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Por trás de cada nota, uma biografia  

Centro da Arte Proscrita, em Schwerin, recupera memória da música banida pelos

nazistas. O arquivo reúne partituras e manuscritos de compositores que se exilaram ou

acabaram morrendo nos campos de concentração.

Não apenas os artistas plásticos, mas também muitos músicos foram alvo de perseguição do regime nazista entre 1933 e 1945. Vários compositores e intérpretes, que até então haviam influenciado a vida musical do país, receberam ordens que os proibia de se apresentar em público e até mesmo de exercer a profissão.

A fim de recuperar a memória desses músicos, cujas obras acabaram sendo esquecidas, o Conservatório Musical da cidade de Schwerin, no Leste alemão, criou o Arquivo da Arte Proscrita, que reúne partituras e manuscritos de compositores e intérpretes perseguidos durante o regime nazista.

Um dos nomes presentes no arquivo é o do compositor italiano de origem judaica Aldo Finzi, considerado até a ascensão do nazismo um dos nomes mais promissores de sua época. Finzi morreu de infarto em 1945, deixando composições até hoje praticamente desconhecidas do público.

"Um artista como Finzi, hoje praticamene desconhecido, teve várias de suas obras interpretadas em concertos realizados em Schwerin, o que só foi possível graças à colaboração de seu filho, Bruno Finzi", diz o pianista Volker Ahmels.

Centenas de obras

Ao lado do musicólogo Birger Petersen e do copositor francês Philippe Olivier, Ahmels dirige o Centro da Arte Proscrita, sediado no Conservatório de Música de Schwerin. "O leque de gêneros do arquivo é enorme, indo do jazz à chanson e à opereta", diz ele.

Até hoje, conta o pianista, não se sabe ao certo quantos músicos tiveram seus destinos modificados pelas arbritrariedades do nazismo. Muito material acabou se perdendo, mas 400 obras de 50 compositores foram compiladas pelo arquivo.

Difícil definição

Há muitas obras de vanguarda que hoje seriam enquadradas no que se chama de Música Nova, mas há também aqueles que se aproximavam do Romantismo. De forma que não se pode definir a música proscrita, pois ela é muito diversa", explica Jennü Swensson, especialista sueca que participa do projeto.

A busca de antigos registros é um trabalho árduo, diz Swensson, pois muitos desses compositores não deixaram registros escritos, quanto menos peças gravadas. Isso faz com que as principais fontes de pesquisa sejam os descendentes dos músicos e sobreviventes da época.

Poucos sobreviventes

Para os pesquisadores, qualquer informação mínima pode se tornar valiosa. O projeto, acrescenta a pesquisadora, deixa claro como o regime nazista fez com que uma enorme herança musical simplesmente desaparecesse.

O arquivo de Schwerin reúne não apenas informações relacionadas aos compositores, mas também de intérpretes que foram perseguidos pelo regime nazista. Uma delas é Edith Kraus, nascida em 1913 e uma das poucas sobreviventes ainda vivas. No início do século 20, Kraus, que foi aluna de Arthur Schnabel, era considerada um verdadeiro gênio musical.

 

Participação dos jovens

Para o especialista Ahmehls, uma das funções mais importantes do arquivo e do projeto de reconstrução da memória musical é o envolvimento dos jovens.

"Não necessariamente daqueles que já têm alguma ligação com a música. Fazer com que os jovens se ocupem da vida e obra desses compositores já é fantástico. Há dois anos, tivemos excelentes resultados ao trabalharmos a história de Izzi Fuhrmann, um violinista que estava totalmente esquecido. Sua vida foi reconstruída de forma tão interessante, que resultou numa exposição, levada até mesmo a Los Angeles", conta o pianista, lembrando que, para os envolvidos no projeto de reconstrução da memória musical, por detrás de cada nota se esconde uma biografia e atrás de cada harmonia está uma história a ser descoberta.

 

Christoph Richter (sv) Deutsche Welle

 

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08/ 06 Mulheres na regência

  

Mulheres com a batuta

 

Nas orquestras alemãs,

o posto de regente é notoriamente de domínio masculino.

 As mulheres enfrentam muitas dificuldades

 para competir com os homens nesta profissão.

Os músicos do Teatro Nacional de Mainz estão afinando seus instrumentos . Todos silenciam com a entrada da maestrina titular Catherine Rückwardt. Ela olha a orquestra, sorri e começa a reger com gestos firmes, no compasso dos altos e baixos da melodia.

Catherine Rückwardt é uma das poucas mulheres na Alemanha que conseguiu chegar a um posto dominado pelos homens. Desde a temporada passada, é ela quem dá o tom no Teatro Nacional de Mainz. Antes disso, a americana já havia realizado outra grande conquista: foi a primeira mulher a exercer a função de maestrina em uma casa de ópera, a Ópera de Frankfurt.

Exceções da regra

São raras as mulheres que conseguem ir tão longe nos países de língua alemã. As poucas exceções nos últimos tempos foram Marie-Jeanne Dufour, na Ópera de Zurique, e Simone Young, que trabalhou como regente convidada na Ópera de Viena e também na de Berlim antes de assumir o cargo de maestrina titular da Ópera de Sidney.

Outras mulheres que não tiveram a mesma sorte, mas que não quiseram desistir de seus sonhos, acumulam experiências nada gratificantes. Uma delas é a brasileira radicada na Alemanha, Marieddy Rosetto, 43 anos, mãe de três filhos, que fez o curso de regência na cidade de Colônia. Ela era a única mulher na sua classe.

"Desde o começo as mulheres são aconselhadas a desistir do curso, sob a alegação de que não teriam futuro na profissão", revelou Rosetto, que por muito tempo ouviu que não conseguiria emprego mesmo se conseguisse concluir o estudo.

Tal predição não tardou a se tornar realidade na vida da brasileira. Apesar de ter sido chamada para uma entrevista de seleção em um conservatório de música, logo viria a descobrir que a vaga não seria sua. O convite era apenas uma formalidade por se tratar da única mulher a concorrer ao cargo.

"A primeira pergunta foi a seguinte: o que a senhora fará com seus filhos enquanto trabalhar?", relembrou Rosetto do momento em que se sentiu discriminada, "Eu respondi que eles ficariam em casa, pois meu marido é professor e tem as tardes livres. Um catedrático então me disse que não acreditava que minhas crianças seriam bem cuidadas desta maneira".

Tratamento incoerente

Catherine Rückwardt considera contraproducente o tratamento dispensado por seus colegas às mulheres que almejam um cargo de regente. Ela afirma que é justamente o sexo feminino que possui as qualidades necessárias para dirigir uma orquestra.

Um bom regente, precisa, por exemplo, ter intuição, senso de organização e um jeito sensível e saudável de lidar com as pessoas. "Há milhares de anos as mulheres são responsáveis pela socialização dos seres humanos. São elas que educam as crianças e são as responsáveis pela propagação dos valores da sociedade", explicou Rückwardt, que vê um paralelo entre essas incumbências e a regência de uma orquestra.

De acordo com a maestrina do Teatro Nacional de Mainz, as mulheres com tais qualidades aliadas à aptidão pela profissão de regente deveriam ser bem valorizadas e ter a possibilidade de encontrar espaço no mercado. Deutsche Welle

 

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19/ 06 OSESP

 
 
 

 

 


Destaque

E agora? Quem vai herdar a Osesp?

Extraído de O Estado de SP

Anúncio de que o maestro John Neschling não renovará seu contrato em 2010 abre bolsa de apostas sobre seu sucessor

A gestão do maestro John Neschling à frente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo já tem data para terminar. Em depoimento dado à coluna Direto da Fonte no sábado, o maestro afirmou que , "cansado da boataria" sobre sua gestão na Osesp e da maneira como está "sendo exposto", não tem intenção de estender seu mandato e deixa o grupo assim que o contrato terminar, em 2010. Com o anúncio, abre-se a bolsa de apostas sobre seu sucessor, o maestro que, do pódio da Sala São Paulo, vai comandar a maior orquestra do País, com um orçamento anual que gira em torno de R$ 57 milhões, dividido entre o governo do Estado e a iniciativa privada.

Neschling assumiu a Osesp no final dos anos 90, convidado pelo governador Mário Covas. Aceitou o posto de diretor artístico e regente titular com duas condições: ter carta branca para reestruturar os quadros da orquestra e conseguir para ela uma nova sede. De lá para cá, o projeto Osesp se tornou um dos maiores fenômenos da vida cultural do País. Em poucos anos, a orquestra conseguiu montar uma programação de excelente qualidade, com dezenas de concertos regulares ao ano e uma temporada de assinaturas que hoje conta com 11.800 assinantes contra 200 pessoas por concerto, média de 10 anos atrás. O projeto Osesp, no entanto, ficou marcado também pelas polêmicas, da demissão dos representantes dos músicos em 2001 até suspeitas de irregularidade no concurso de piano promovido há dois anos, passando pelo valor do salário de Neschling, a briga com seu ex-regente adjunto Roberto Minczuk e declarações polêmicas a respeito não só de outras orquestras do País como contra o próprio governador - uma declaração que foi colocada no YouTube.

Não é de hoje que se fala na sucessão de Neschling. Os boatos sobre sua substituição surgiram durante a gestão de Geraldo Alckmin, quando circulou a informação de que a secretária de Estado da Cultura Cláudia Costin havia recomendado ao governador a demissão do maestro por conta de seu salário, considerado alto. Desde então, o assunto volta sempre à baila, normalmente provocando reação contrária de parcela do público e da classe artística. No ano passado, por exemplo, declarações de fontes ligadas ao governador José Serra falavam no desejo de encontrar imediatamente um novo maestro para a orquestra - e a presença de Serra em concertos do Festival de Campos do Jordão, dirigido por Minczuk, parecia confirmar o desagravo. Há alguns meses, publicou-se na imprensa paulista a informação de que governador estudava a possibilidade de buscar no exterior um novo diretor. Finalmente, no mês passado, novo boato, agora de que o argentino Daniel Barenboim havia sido convidado para o posto. Em visita ao Brasil com a Staatskapelle Berlim, o maestro negou que tivesse recebido qualquer convite.

Procurado pelo Estado, o maestro John Neschling não respondeu ao pedido de entrevista. A Fundação Osesp também não se pronunciou sobre a questão. O processo da escolha da sucessão de Neschling já deve ter começado, envolvendo o conselho da fundação e o governo. Não se sabe qual exatamente será o papel dos músicos na escolha, mas vale lembrar que em algumas das principais orquestras mundo afora, como as filarmônicas de Viena e Berlim, eles propõem uma lista tríplice com os maestros com os quais gostariam de trabalhar.

Baseando-se na experiência concreta de tê-los visto trabalhando com a Osesp e de ter podido, assim, avaliar a resposta da orquestra a seu comando, os críticos do Estado prepararam uma lista de possíveis candidatos ao cargo. O novo maestro pode até não estar entre os escolhidos. Mas vale a pena abrir a bolsa de apostas dos possíveis candidatos ao cargo.

Quem Vai Para o Pódio?

ROBERTO MINCZUK: O maestro sempre esteve no topo da lista de possíveis sucessores de Neschling. Foi seu assistente desde o início do projeto de reestruturação da orquestra; em 2005, passou a regente convidado principal, até que resolveu abandonar de vez o grupo. Ele já conhece a orquestra e seu modo de trabalho - politicamente, seu nome acalmaria àqueles que têm medo, com a saída de Neschling, que o projeto seja desconfigurado, afinal, foi um de seus arquitetos. Minczuk, no entanto, já tem contratos com Orquestra Sinfônica Brasileira,o Teatro Municipal do Rio e Filarmônica de Calgary (Canadá).

IRA LEVIN: O nome do maestro norte-americano ganha crédito por conta do desejo de se escolher um regente estrangeiro para ocupar o posto, além dos bons resultados conseguidos nas duas ocasiões em que comandou a Osesp como regente -convidado, interpretando trechos de A Valquíria, de Richard Wagner, e, há duas semanas, obras de Gershwin, Debussy e Roussel. Levin não é estranho para o mundo musical brasileiro, está no País desde 2003, já dirigiu com sucesso o Teatro Municipal de São Paulo e atualmente está à frente da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília.

FRANK SHIPWAY: O maestro britânico regeu a Osesp em interessantes concertos com obras de Wagner e The Dream of Gerontius, de Edward Elgar. Interagiu bem com os músicos do grupo, o que ficou evidente pelo resultado obtido, elogiado tanto pela crítica quanto pelo público. Shipway foi assistente de Lorin Maazel na Ópera de Berlim nos anos 70 e suas credenciais incluem ainda apresentações com a Philarmonia Orchestra, as filarmônicas de Londres, Estocolmo e Moscou, além de aparições na Ópera Nacional Inglesa e no Festival de Glyndebourne.

YAN-PASCAL TORTELIER: Como Shipway, o maestro francês demonstrou à frente da Osesp, com quem regeu dois concertos dedicados a autores franceses (Berlioz, Saint-Saëns, Ravel, César Franck), grande refinamento e senso de estilo. Na medida em que é possível julgar pelas gravações que documentam o seu trabalho (assim como o de Shipway), Tortelier possui repertório eclético e pode corresponder às necessidades de uma orquestra que se encontra em fase de desenvolvimento como a Osesp. É principal regente convidado da Sinfônica de Pittsburgh.

RONALD ZOLLMAN: Em seu favor, o maestro belga tem a vasta experiência em um amplo repertório, acumulada durante o trabalho com importantes grupos de orientação diversa, como o Ensemble InterContemporain de Paris e a Orquestra da Suisse Romande. Isso pode ajudar a manter a diversidade do repertório, que tem sido a marca das temporadas preparadas por John Neschling. Zollman já esteve diversas vezes à frente da Osesp, regendo obras de Alfredo Casella, Igor Stravinsky, Gustav Holst e as sinfonias de Johannes Brahms.

OSMO VANSKA: O maestro finlandês dirige a Sinfônica de Minnesota, nos Estados Unidos. Lá, transformou a orquestra em um fenômeno de público, mudando sua relação com vida cultural da cidade e atraindo patrocinadores, o que conta a seu favor em momento que a Osesp ainda se consolida institucionalmente. Seu ciclo das sinfonias de Beethoven, lançado pelo selo BIS, impressionou não apenas pela qualidade técnica como pelo frescor na leitura das obras, mesma sensação que provocou sua interpretação da Sinfonia nº 3 com a Osesp em 2006.

João Luiz Sampaio, Lauro Machado Coelho e João Marcos Coelho


Autor Divulgação   movimento.com
em 18/6/2008


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Categoria: Histórias

20/ 06 Wagner

  

  

Katharina Wagner: "Eu fico fora de todas

 as disputas familiares"

Katharina Wagner tem  29 anos Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Katharina Wagner tem 29 anos  

Katharina Wagner estreia seu "Mestres-Cantores de Nurembergue"

 no Festival de Bayreuth sob olhares atentos.

A bisneta do compositor é favorita para a direção do

festival, fundado em 1876. A Deutsche Welle a entrevistou.

Desde 1999, quando Wolfgang Wagner, diretor do Festival de Bayreuth e neto de Richard Wagner, anunciou que estava em busca de um sucessor para o cargo, amantes do festival e especialistas da música clássica não param de especular: quem será o afortunado herdeiro?

Aos 29 anos, Katharina, filha caçula do diretor de 88 anos, desponta como favorita para o cargo, deixando para trás a irmã mais velha, Eva Wagner-Pasquier, e a prima Nike, ambas de 62 anos. Na noite de abertura da 96ª edição do festival, ela apresenta sua versão da ópera wagneriana Os Mestres cantores de Nurembergue, que seu pai já encenou três vezes em Bayreuth.

DW: A imprensa tende a escrever sobre os Wagner como uma espécie de família real. Isso a incomoda? Como você lida com esse tratamento?

Katharina Wagner: Você nasce com um nome, não o escolhe. É claro que, se eu tivesse me tornado uma advogada, eu não teria que lidar com isso. Mas adoro minha carreira de encenadora, e procuro separar minha vida privada do meu trabalho. Espero não ser vista sempre como uma Wagner, mas sim como uma artista independente.

Teatro de Bayreuth: quem vai cuidar da casa? Bildunterschrift: Teatro de Bayreuth: quem vai cuidar da casa? Quando dou uma entrevista ou falo sobre o meu trabalho, faço isso não como Katharina Wagner, bisneta de Richard Wagner, mas como diretora de Os Mestres Cantores de Nurembergue. Não sou mais interessante por ser parente de um grande compositor. Essa foi uma realização dele, não minha, e eu prefiro falar sobre as minhas.

Você tem contato com os membros da sua família que também são figuras bem conhecidas no meio musical?

Sim. Mas eu fico fora de todas as disputas familiares. Não me envolvo com todo esse estresse público, eu me mantenho distante.

Ao contrário de outros diretores, ir para Bayreuth, para você, significa voltar para casa. Isso é uma vantagem?

Conheço muito bem a casa, as pessoas, os costumes, o que certamente é uma vantagem. Mas a pressão sobre os diretores é muito grande em Bayreuth, e isso vale tanto para mim quanto para todos os meus colegas.

Você cresceu e estudou em Bayreuth e, depois de sair de lá como filha do chefe, está voltando como chefe. Como é voltar como diretora?

Eu lido com isso com muita naturalidade. As pessoas sabem do que sou capaz e do que não sou, então não acho que haverá qualquer problema de autoridade. Fui assistente durante anos e todos me conhecem. E não tenho nenhum problema com isso, mas não posso falar pelos outros.

Você foi assistente de seu pai e de outros diretores. O que você aprendeu de seu pai que considera indispensável à sua carreira atualmente?

Richard Wagner fundou o festival em 1876Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Richard Wagner fundou o festival em 1876O know-how técnico. Apesar de meu pai e eu seguirmos linhas estéticas muito diferentes, há uma técnica básica que todo encenador precisa ter, e isso eu aprendi muito com meu pai. Por exemplo, como as pessoas se posicionam no palco, fazendo parecer que estão olhando um para o outro enquanto ao mesmo tempo podem estar olhando para os monitores - coisas práticas que são essenciais para poder dirigir.

Outros artistas e diretores marcaram o seu trabalho?

Claro. Em cada espetáculo que se vê, se aprende um pouco, como fazer ou como não fazer. Além disso, há pessoas que me trazem muita inspiração, como [Hans] Neuenfels, [Sebastian] Baumgarten... Recentemente vi um trabalho maravilhoso de David Hermann na Basiléia, e também de [Sebastian] Nübling em Stuttgart.

Então não precisa ser sempre Wagner?

Não, não precisa ser sempre Wagner.

Mas você tem trabalhado quase que exclusivamente com Wagner desde que começou.

Se eu fosse diretor-geral eu faria exatamente isso, porque essa combinação Wagner-Wagner funciona muito bem. Eu entendo por que eles propõem isso. E também gosto de encenar Wagner.

Por que Os Mestres cantores de Nurembergue?

Quando uma peça me é oferecida, me pergunto se me diz algo, ou não. Nesse caso, me disse. Se, há três anos, meu pai tivesse me oferecido Tristão e Isolda  em vez de Os Mestres cantores, eu teria dito "ainda não" - agora eu daria conta, mas há três anos eu ainda não teria encarado.

Você pode dar alguns exemplos de como as suas concepções estéticas diferem das do seu pai?

Wolfgang Wagner diante do Teatro de BayreuthBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Wolfgang Wagner diante do Teatro de BayreuthEm relação a figurino, meu pai prefere estilos históricos ou atemporais. Ele sempre tem elementos históricos, até mesmo nas produções que sem uma localização precisa no tempo. Eu prefiro um estilo mais moderno, até por causa do movimento que as roupas proporcionam. Este é um exemplo concreto.

Onde você situou os seus mestres cantores?

Não é num local muito concreto. Não é na Idade Média. Também não é importante o fato de a história se dar em Nurembergue. Para mim, Nurembergue corresponde a uma locação espiritual.

Minha produção se dá numa sala com muitas portas, que também é extremamente fechada e a princípio parece muito pesada, mas com a entrada dos mestres cantores começa a brilhar mais. Por fim, vêm novos impulsos de fora, e o sistema de Nurembergue já não pode mais existir como existia, e então Nurembergue muda, no fim do segundo ato.

A inovação colide com a tradição, e a forma como uma se relaciona com a outra é, para mim, a questão mais fascinante nessa ópera: qual é a relação entre inovação e tradição, e entre a arte - ou o artista - e a sociedade?

Em relação à possibilidade de você se tornar a próxima diretora do festival, seu pai já disse: "Se ela pode, então deve". Como você vê essa afirmação?

Isso é muito típico do meu pai. Qualquer um que o conheça saberá que este é o autêntico Wolfgang Wagner. Embora, na verdade, ele tenha dito "se ela pode e quer". Há uma diferença.

Mas se ele falou, é porque acha que você está pronta. Que condições seriam necessárias para aceitar a posição?

Os Wagner: a partir da esquerda, a mãe Gudrun, o pai Wolfgang e a filha Katharina Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Os Wagner: a partir da esquerda, a mãe Gudrun, o pai Wolfgang e a filha Katharina Não depende só de mim. Depende predominantemente de outras pessoas. No momento, o meu pai acumula as funções de produtor e diretor do festival, mas essa constelação vai mudar. Haverá quatro diretores gerentes, cada um, naturalmente, com expectativas altas em relação ao diretor do festival, às quais não sei se poderei atender. É também uma questão que precisa ser discutida - o que os produtores esperam, o que eu espero deles. Essas coisas têm que se encaixar.

Qual é a condição mais importante para você?

Que a qualidade artística permaneça.

Você poderia citar duas coisas que manteria a qualquer custo e outras duas que mudaria imediatamente?

As condições de ensaio teriam que ser mantidas. Para os diretores é sensacional poder ensaiar no palco original, para os cantores também é muito agradável. Outra coisa que precisa ser mantida é a atmosfera familiar do festival. As pessoas valorizam esse clima de grande família, e é por isso também que gostam muito de vir. Quanto às mudanças, há muitas coisas básicas, como, por exemplo, o site do festival.

O que você mais desejaria para si, neste momento?

Sinceramente eu gostaria muito de me deitar na praia, ficar de frente para o mar [risos]. Não, brincadeiras à parte: que a estréia seja um ensaio muito bom. E que não esteja quente demais no teatro, pois no ano passado os cantores sofreram, sem ar-condicionado.

 

Dieter David Scholz (kjb/jc)

Deutsche Welle

 

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