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24/10 John Cage

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Categoria: Histórias

Academia das Artes de Berlim celebra o centenário de John Cage


Exposição tematiza a obra do compositor John Cage, criando relações entre o artista e seu legado e mostrando como ele ajudou a redefinir o conceito de arte.


Para comemorar o centenário de nascimento do compositor e filósofo americano John Cage em 2012, a Academia das Artes de Berlim dedica um programa pioneiro ao artista. O evento com duração de um ano quer explorar e absorver o legado de Cage, que morreu em 1992.
 
Sob o nome de One year from Monday - 365 Tage Cage (Um ano a partir de segunda-feira - 365 dias Cage, em tradução livre), o projeto artístico multidisciplinar quer mostrar os efeitos do trabalho de Cage de quando foram realizados até o presente.
 
Nenhum outro artista questionou e modificou o conceito de arte no século 20 como John Cage. Sua mais famosa composição foi 4'33", onde o pianista tem a única incumbência de não produzir nenhum som. Com a obra, Cage questionou radicalmente o tradicional conceito de arte, numa ruptura sistemática do significado e da estrutura que confronta incondicionalmente o ouvinte consigo próprio.
 
Influenciado pela filosofia de vida budista, Cage colocava a arte e o artista no centro do questionamento da vida e da ação. Ele não só expandiu a produção artística como também as estruturas de ordem social e cultural.
 
Em cartaz até o final de novembro, a primeira parte do programa, intitulada Cage Cunningham e Xenakis, descreve o universo de Cage através de dois importantes companheiros e questionadores: o dançarino e coreógrafo Merce Cunningham e o compositor e arquiteto Iannis Xenakis.
 
Os três podem ser considerados artistas políticos. Obviamente não nos temas, mas na forma de lidar e refletir sobre os meios e incorporar novas e controversas tecnologias para questionar conceitos estabelecidos na vida, na arte e na sociedade.   
 
A complexidade do silêncio

Cage nasceu em Los Angeles em 1912. Ele estudou música e composição com Henry Cowell e Arnold Schönberg. Nos anos 40 mudou-se para Nova York, onde começou a trabalhar como diretor musical da companhia de dança de Cunningham.
 
Os compositores Iannis Xenakis e Cage em 1970Em suas composições, trabalhou as possibilidades de expansão do som, as operações do acaso, assim com as possibilidades das apresentações multimídia. Na área da música, Cage foi a figura-chave da vanguarda no século 20. Seu trabalho, porém, não se restringe apenas à música, incluindo também pintura, teatro, design gráfico, vídeo, cinema, rádio e literatura.    
 
A exposição Uma sala para John Cage faz a intersecção entre o ponto de vista de alguns dos artistas que fazem parte do acervo da Academia das Artes e o trabalho de Cage. A exposição segue a ideia de uma comunidade interativa de produção e pensamento, em que Cage, com a complexidade e variedade de seu trabalho, seria o modelo a ser seguido.
 
Instalações, pinturas e filmes de artistas como Arnold Dreyblatt, Reinhild Hoffmann, Eberhard Blum fazem parte da mostra, que contextualiza as obras não apenas entre sim, mas também com o espaço em que são exibidas.
 
Arte além dos limites do corpo
 
O americano Cunningham é uma das principais figuras da vanguarda na dança americana. O coreógrafo desenvolveu uma linguagem única e abstrata, criando uma autonomia para dança.
 
Ele começou sua carreira nos anos 20, como solista na companhia de dança de Martha Graham. A partir de 1942, começou a desenvolver sua coreografia junto com a música de Cage. Juntos eles trabalharam com ações aleatórias, deixando para trás convições dramáticas.
 
Para Cunningham, a própria dança era o tema de sua dança. Seu interesse envolvia também tecnologia e filmes como forma de explorar novas formas para dança.
 
Aos 88 anos, devastado pela artrite, Cunningham dançou a famosa composição 4'33" de Cage a pedido da artista britânica Tacita Dean. Seus movimentos minimalistas correspondem à "música do silêncio" criada por Cage. Dean documentou essa performance tão única de um dos maiores ícones da dança moderna e a transformou numa grande instalação.     
 
Música em cores e espaço
 
Filho de gregos, Iannis Xenakis nasceu na Romênia. Ele estudou na escola politécnica de Atenas e devido ao seu ativismo político se exilou na França no final da década de 40. Logo que chegou, ele começou a trabalhar no escritório de um dos pioneiros da arquitetura moderna, Le Corbusier.
 
Paralelamente se dedicou à sua grande paixão, estudar música e compor. Aconselhado pelo seu professor, Olivier Messiaen, Xenakis se concentrou em sua herança musical grega e em seus conhecimentos de arquitetura e matemática para expandir sua composição. Xenakis é conhecido pelos seus estudos musicais no campo da composição assistidos pelo computador.
 
Controle e coincidência apresenta pela primeira vez o compositor também como ilustrador. Xenakis sempre colocou suas ideias e composições antes no papel, das mais diferentes formas. Com a interação do seu trabalho com artistas como Richard Fuller e Allan Kaprow, a exposição cria uma ponte e novas referências com o trabalho de Cage, através de temas como o controle do aleatório e coincidências. Podemos ver como sua arquitetura e arte influenciaram sua música e vice-versa, em composições feitas através de gráficos, cores e projetos arquitetônicos.
 
A year from Monday - 365 Tage Cage está em cartaz na Akademie der Künste em Berlin até o dia 05 de setembro de 2012.   

Texto: Marco Sanchez
 Revisão: Alexandre Schossler

Deutsche Welle
 

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