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13/04 Casa da Ópera

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Categoria: Histórias

Livro revela Alemanha como o país das casas de ópera


 Existem cerca de 80 companhias de ópera permanentes na Alemanha. Trata-se de uma riqueza cultural única no mundo. É possível visitar todas? Sim, por meio de uma viagem pelo interior do país e de uma leitura divertida.


Alguns falam abertamente sobre um "infarto cultural", sobre a necessidade ou não de medidas de economia em teatros e museus. Outros preferem olhar para o que o cenário cultural alemão tem a oferecer.
 
O jornalista Ralph Bollmann dedicou-se durante anos de corpo e alma ao teatro musical e, numa espécie de busca pessoal, visitou quase todas as casas de ópera da Alemanha. Não somente os grandes palcos nas metrópoles, pelo contrário: foram justamente as óperas de província que o cativaram.
 
Suas andanças estão agora registradas no livro Walküre in Detmold (Valquírias em Detmold, em tradução livre), lançado recentemente na Alemanha pela Editora Klett-Cotta.
 
Príncipes e mecenas
 
Em suas viagens, ele descobriu algo impressionante: a coragem de pequenos teatros em realizar produções complexas e o entusiasmo incansável do público. Pois, ao contrário de todos os prenúncios de que Fidelio ou Aida seriam algo somente para a elite burguesa, as salas estão sempre lotadas.
 
A cada ano, cerca de 10 milhões de pessoas visitam teatros musicais como óperas, operetas e musicais - a mesma quantidade de torcedores que assistem aos jogos da Bundesliga.
 
A diversidade teatral entre Flensburg e Passau, Krefeld e Chemnitz - ou seja, respectivamente de norte a sul, de oeste a leste - é um legado histórico. Quase metade das casas de ópera alemãs é composta por antigos teatros da corte, fundados e patrocinados por pequenos ou grandes soberanos para elevar sua própria glória.
 

 

Ostentação principesca
 
As casas de ópera se juntaram a palácios senhoriais, coleções de arte de valor inestimável e bibliotecas como parte da ostentação principesca. Somente no século 19, patronos da educação e comerciantes abastados entraram em cena, fundando os chamados teatros municipais. Desenvolveu-se então o que até hoje caracteriza a paisagem cultural alemã: seu colorido, mas também uma espécie de mecenato moderno.
 
Uma rede inigualável de teatros municipais e federais é financiada na Alemanha por estados e municípios. Que a ópera, como muitas vezes se afirma, sobreviveu a todos os sistemas políticos não é de todo verdade.
 
Na antiga Alemanha Oriental, por exemplo, teatros multigêneros foram fundados pelas forças de ocupação soviéticas - "mas com o comunismo eles vieram, e com o comunismo eles se foram", escreveu o autor Bollmann. Houve um falta de identificação e de dinheiro.
 
Cachês e patrocinadores
 
Também no teatro musical, o desejado dinheiro desempenha um papel importante. Obviamente ele não circulou e não circula de forma abundante em todos os lugares. Os recursos são escassos em muitos municípios. Principalmente no leste da Alemanha registram-se tendências decrescentes e deprimentes. Para economizar em cachês, tais cidades preferem, eventualmente, contratar atores que sabem cantar um pouco no lugar de verdadeiros profissionais de óper
 
Nessas cidades, acontece de a orquestra voltar para casa depois de ver a sala quase vazia. Os teatros são banidos para a periferia, em salas improvisadas ou escuras. Os teatros têm que se fundir ou ser fechados.
 
E muito além das grandes manchetes, uma guerra cultural também se desenvolve no interior do país. Quando o teatro é subversivo e político, ele passa a desagradar grupos neonazistas locais, que não poupam ataques contra artistas participantes.
 
Há também exemplos bem diferentes: auditórios magníficos, público culto e abastado. Ou simplesmente formado por entusiastas do teatro, que apoiam "seus" palcos municipais, querendo mantê-los vivos.
 
"Um pequeno milagre"
 
Os petiscos oferecidos durante as pausas deixam, no entanto, a desejar: espumantes muito doces e pães velhos e secos. Nesse quesito, o autor Bollmann olha com inveja para os destaques culinários nos foyers de Londres ou Milão.
 
Mas, acima de tudo, com seu livro divertido e informativo, ele deixou claro que mesmo que os sons vindos do fosso de orquestra ecoem ralos e estridentes, mesmo que cantoras e cantoras lutem, ocasionalmente, contra os desafios de seus papéis, muito pode ser descoberto nos palcos de óperas alemães.
 
E pode-se conhecer muita música maravilhosa por ali, onde o teatro não é somente província, mas sim onde "todas as noites acontece um pequeno milagre".
 
Autora: Cornelia Rabitz (ca)
 Revisão: Mariana Santos


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Data 09.04.2012
Autor Carlos Albuquerque

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