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22/07 Siegfried Wagner

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Categoria: Histórias

 

Siegfried Wagner, o filho de Richard



Muitos compositores do período pos-romântico, apesar de terem produzido grande número de obras orquestrais e operísticas, acabaram obscurecidos pela fama de seus antecessores e esquecidos do público na primeira metade do século XX. Atualmente, vários desses compositores têm despertado o interesse dos musicólogos que vem se preocupando em resgatar suas criações.

Entre eles figura o nome de Siegfried Wagner (1869-1930) compositor e regente, filho de Wilhelm Richard Wagner. Siegfried Wagner sofreu mais com a sombra dominante de seu famoso pai do que outros compositores de seu tempo pois, além do mais, pairava sobre o nome de Richard Wagner uma profunda rejeição por parte da crítica e do público. Como diretor de festivais e regente, Siegfried Wagner ficou conhecido como o campeão da divulgação dos trabalhos do famoso pai e, pode-se dizer, sacrificou seus próprios interesses nesse afã. E nisso, afirma-se que seguiu os ditames estabelecidos por sua mãe, Cósima (Liszt) Wagner que era muito criticada por sua insistência, como guardiã do "Santo Graal" da tradição wagneriana.


UMA MENTE ABERTA E INOVADORA

Siegfried foi um homem de seu tempo, uma mente aberta a inovações no campo musical e que encontrou grande número de opositores às suas próprias idéias naquele setor. O que sobrevive de Siegfried Wagner, é sua música, mesmo porque, compôs cerca de 18 óperas - número maior que seu pai -, a maioria delas tendo sido representadas em níveis variados de sucesso durante sua vida. Nem o conteúdo musical ou os temas das óperas corresponderam às expectativa do público, em se tratando do filho de Richard Wagner.

Foi esse o estigma que Siegfried teve que enfrentar em duas frentes: uma contra os wagnerianos que acreditavam entender as obras do compositor melhor que o filho, e outra, contra os violentos oponentes da música de Richard Wagner que insistiam em ver em Siegfried, a réplica do pai, como o "Wagner mais novo". De fato, Siegfried Wagner tinha predileção por personalidades artísticas que não aderiram ao nacionalismo germânico representado pelos Festivais de Bayreuth e por Houston Stewart Chamberlain, o genro de Cósima (Liszt) Wagner.


OBRAS DE AFINIDADE COM OSCAR WILDE E BERTOLD BRECHT

Temas explosivos das obras teatrais de Siegfried Wagner se ocultavam em títulos inócuos como Sonnenflamen (Chamas Solares), e Das Flüchlein das jeder mitbekam, (A praguinha que todos herdam), obras essas que demonstram uma afinidade intelectual com Oscar Wilde, Stefan George e mesmo Bertold Brecht.

Parte de sua produção musical foi praticamente destruída, pela própria família após sua morte em 1930. E Siegfried Wagner é hoje mais lembrado pelas representações das obras de seu pai em Bayreuth em que produziu novos estilos de encenação. Nesse afã foi seguido por seus filhos Wieland e Wolfgang em termos de produções modernas, simbolistas, com cenários despojados, movimento cênico reduzido, forte caracterização e iluminação enfática, fatores passíveis de interpretações políticas.


Autor Aristides A. J. Makowich movimento.com

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