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Categoria: Histórias

08/ 07 BEETHOVEN


Curiosidade



Beethoven: Pour Élise ou Pour Thereze?



A bagatelle "Pour Élise", WoO 59, do Opus 126, de Ludwig van Beethoven (1770-1827)é, na atualidade, uma das peças mais conhecidas, divulgadas e massacradas do "Gênio de Bonn". Tanto o é, que virou prefixo das viaturas das distribuidoras de gás que saem pelas ruas
saturando a todos com a repetição insistente dos dois primeiros temas da obra. E tanto fizeram que, há alguns anos atrás, em São Paulo, houve uma forte reação contra esse meio de divulgação, gerando um abaixo-assinado
que conseguiu proibir a irradiação dessa música com aquele objetivo.

Além disso, Pour Élise tem sido usada com grande freqüência como música de espera em "secretárias eletrônicas", mas com omissão de uma das notas, o que deixa a peça "truncada" e deformada, para desespero dos
"connoisseurs". Por outro lado a peça é obrigatória no repertório das escolas de piano, pela sua estrutura e, seguramente, pela fascinação generalizada exercida pela sua melodia.


O QUE SÃO AS "BAGATELAS"?

As assim chamadas "bagatelas", termo usado pela primeira vez por François Couperin (1668-1733), são peças ligeiras e mais ou menos curtas, destinadas principalmente para piano solo, como as de Beethoven e Bartók, embora Webern tenha em seu acervo seis bagatelas, para quarteto de cordas.

Beethoven, durante toda sua vida, manteve a prática de escrever pequenas e vívidas peças para piano que ele chamou de "Kleinigkeiten", ou "Bagatelles". Costumava conservá-las numa pasta e, de tempos em tempos, (por exemplo, em 1803, e depois em 1823) revisava-as, e delas publicava uma seleção. Entretanto, em 1824, ele parece ter composto deliberadamente seis novas bagatelas, como um grupo ou conjunto, um "Ciclus von Kleinigkeiten".

Cuidadosamente contrastantes em tonalidades, tempo e
humor, elas justificam a afirmação de Beethoven ao seu editor Schott: "São as melhores peças desse tipo que já escrevi ...".


"Pour Élise" ou "Pour Thereze"?

Beethoven publicou pessoalmente a "bagatela" em la menor, WoO 59, Opus 126, a mais popular de suas criações desse gênero que é conhecida como Pour Élise, embora o título possa ter sido um erro de nome. (A sigla WoO preposta a algumas obras de Beethoven significa "Werk ohne Opuszahl", isto é, Obra sem número de Opus).

É sabido que Beethoven se apaixonou seguidamente por várias mulheres, inclusive filhas da aristocracia de seu
tempo que o rejeitaram por vários motivos, como a "falta de elegância e feiúra" do compositor. É do conhecimento geral também, que o compositor dedicou várias de suas composições musicais a algumas dessas damas, como no caso de "Pour Élise", ou "Für Elise".

Foi o biógrafo de Beethoven, Ludwig Nohl quem publicou o trabalho completo de "Pour Ëlise", ou "Für Elise" em 1867, usando uma partitura autógrafa que pertencera a Therese Malfatti, filha de um dos médicos de Beethoven. É provável que, em 1810, Beethoven tenha proposto casamento a ela, e como sempre, sido recusado.

Segundo Nohl, o autógrafo, que jamais havia sido visto anteriormente, tinha a seguinte dedicatória: "Für Elise", em 27 de abril, como uma recordação de L. van Beethoven. Entretanto, mais recentemente, nos anos vinte, Max Unger sugeriu que Nohl lera erradamente a anotação rasurada do compositor: parece mais provável que a peça tenha sido dedicada a Thereze Malfatti, isto é, "Für Thereze". Foi a relativa semelhança entre os dois nomes que, provavelmente, levou Nohl a dar o nome de "Für Elise", que acabou consagrado definitivamente como título da obra.


Autor Aristides A. J. Makowich  movimento.com


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08/07 BAYREUTH

 

 

Festival de ópera de 130 anos entra na era digital  

Márcio Damasceno
De Berlim para a BBC Brasil  
 
Wolfgang e Katharina Wagner no pôster do Festival Richard Wagner de Bayreuth
Neto de Wagner, Wolfgang comanda o festival desde 1951
Um dos mais prestigiosos festivais de ópera do mundo, o Festival Richard Wagner de Bayreuth, na Alemanha, terá neste ano recursos da era digital, com transmissão de um espetáculo em um telão e pela internet pela primeira vez em seus mais de 130 anos de história.

O festival, que começa no dia 25 de julho e vai até 28 de agosto, foi criado pelo compositor Richard Wagner em 1876 e todos os anos apresenta óperas do alemão.

Fãs de Wagner disputam as entradas para o festival, e o tempo de espera para um dos 58 mil ingressos de Bayreuth é de, no mínimo, sete anos.

Neste ano, a ópera Os Mestres Cantores de Nuremberg, a ser encenada em 27 de julho, será transmitida por um telão gigante de 90 m² na principal praça de Bayreuth, cidade no interior do Estado da Baviera, no sul da Alemanha.

O público na praça poderá acompanhar tudo sem gastar um tostão, e os organizadores esperam atrair cerca de 10 mil pessoas.

Além disso, quem se registrar previamente, pagando 49 euros (cerca de R$ 123), também poderá ver Os Mestres Cantores de Nuremberg pela internet, ao vivo e em qualquer parte do mundo.

Críticas

A estratégia de entrar na era digital pode ajudar a popularizar um festival hoje considerado elitista, ainda que o compositor Wagner sonhasse com uma festa de ópera feita para o povo.

As mudanças, entretanto, já sofrem as primeiras críticas.

"À primeira vista, (a transmissão por telões) é uma idéia fascinante. Mas não deverá trazer os ares novos esperados", ponderou Christoph Waitz, especialista em cultura do partido liberal alemão FDP.

Para ele, as expectativas dos fãs de ópera "não são idênticas às dos torcedores de futebol". "Os wagnerianos inveterados vão se horrorizar", avisou.

Segundo o porta-voz de Bayreuth, Roland Emmerich, a transmissão pela internet promete ser um divisor de águas, comparado à primeira transmissão por rádio de Tristão e Isolda, em 1931.

Mudança de direção

A inovação antecede a esperada mudança da direção do evento.

Após anos de discussões e brigas no clã dos Wagner, o neto do compositor, Wolfgang Wagner, de 88 anos, anunciou em março que esta será sua última temporada à frente do festival.

Ele disse que renunciará ao cargo, ocupado por ele em caráter vitalício desde 1951.

A sucessora deverá ser sua filha Katharina - que será a diretora da ópera Os Mestres Cantores de Nuremberg, a ser transmitida na internet.

Entretanto, o plano é que Katharina, de 30 anos, compartilhe o comando com sua meio-irmã mais velha e antiga rival, Eva Pasquier Wagner, fruto do primeiro casamento de Wolfgang.

A direção em dupla encerraria uma disputa familiar de mais de três anos.

 

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18/07 Beethoven

 

"Beethoven" revela músico

abençoado pelo talento e atormentado por demônios

da Folha Online

Quem foi Beethoven, o compositor que há mais de 150 anos ocupa posição central no altar da música clássica ocidental? Ludwig van Beethoven foi um gênio musical. E muito mais do que isso.

Divulgação
Livro narra a conturbada vida de Beethoven e desvenda sua genialidade
Biografia relata a conturbada vida de Beethoven e sua genialidade

Foi também o filho de uma família autoritária. O homem atormentado por problemas pessoais, incapaz de estabelecer relações estáveis com as mulheres. O músico que, mesmo vítima de uma surdez progressiva e incurável, recusou-se a parar de criar.

A trajetória contraditória e complexa de Beethoven, o desenvolvimento de seu gênio criativo, suas fraquezas e imperfeições, e sua luta para continuar criando após a surdez são retratados na biografia "Beethoven", da editora Objetiva, à venda na Livraria da Folha.

Extravagante, alcoólatra, amante inveterado

O leitor descobrirá que Beethoven era um homem extravagante, freqüentemente endividado e vítima do alcoolismo. Baixinho e feio, era amante de várias mulheres, a maioria delas casadas, mas nunca conseguiu manter um relacionamento duradouro em toda sua vida. Consagrado, vendia peças musicais para aristocratas antes mesmo de tê-las composto. E, apesar de brilhantemente inteligente, era incapaz de conter acessos crônicos de raiva.

A criação das principais obras de Beethoven é narrada paralelamente ao desenrolar dos fatos de sua vida. Um dos pontos altos do livro é justamente a descrição das estratégias que Beethoven desenvolveu para continuar a escrever música durante o processo de perda da audição.

Do nascimento aos últimos momentos, "Beethoven" apresenta o retrato de um homem fascinante, abençoado por um talento musical fora do comum e amaldiçoado por demônios complexos.

Sobre o autor

O livro é escrito por Edmund Morris, aclamado autor de três biografias best-sellers (incluindo "The Rise of Theodore Roosevelt", vencedora do Prêmio Pulitzer) e estudioso da vida e da obra de Beethoven há quase 50 anos.

Pianista, o autor demonstra a rara habilidade de falar sobre as complexidades da música de Beethoven sem cair em tecnicismos, conseguindo "traduzir" em palavras a grandeza da obra de Beethoven. Quem ganha é o leitor.

*

"Beethoven"
Autor: Edmund Morris
Editora: Objetiva
Páginas: 288
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: Nas principais livrarias e na Livraria da Folha


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22/07 Siegfried Wagner

 

Siegfried Wagner, o filho de Richard



Muitos compositores do período pos-romântico, apesar de terem produzido grande número de obras orquestrais e operísticas, acabaram obscurecidos pela fama de seus antecessores e esquecidos do público na primeira metade do século XX. Atualmente, vários desses compositores têm despertado o interesse dos musicólogos que vem se preocupando em resgatar suas criações.

Entre eles figura o nome de Siegfried Wagner (1869-1930) compositor e regente, filho de Wilhelm Richard Wagner. Siegfried Wagner sofreu mais com a sombra dominante de seu famoso pai do que outros compositores de seu tempo pois, além do mais, pairava sobre o nome de Richard Wagner uma profunda rejeição por parte da crítica e do público. Como diretor de festivais e regente, Siegfried Wagner ficou conhecido como o campeão da divulgação dos trabalhos do famoso pai e, pode-se dizer, sacrificou seus próprios interesses nesse afã. E nisso, afirma-se que seguiu os ditames estabelecidos por sua mãe, Cósima (Liszt) Wagner que era muito criticada por sua insistência, como guardiã do "Santo Graal" da tradição wagneriana.


UMA MENTE ABERTA E INOVADORA

Siegfried foi um homem de seu tempo, uma mente aberta a inovações no campo musical e que encontrou grande número de opositores às suas próprias idéias naquele setor. O que sobrevive de Siegfried Wagner, é sua música, mesmo porque, compôs cerca de 18 óperas - número maior que seu pai -, a maioria delas tendo sido representadas em níveis variados de sucesso durante sua vida. Nem o conteúdo musical ou os temas das óperas corresponderam às expectativa do público, em se tratando do filho de Richard Wagner.

Foi esse o estigma que Siegfried teve que enfrentar em duas frentes: uma contra os wagnerianos que acreditavam entender as obras do compositor melhor que o filho, e outra, contra os violentos oponentes da música de Richard Wagner que insistiam em ver em Siegfried, a réplica do pai, como o "Wagner mais novo". De fato, Siegfried Wagner tinha predileção por personalidades artísticas que não aderiram ao nacionalismo germânico representado pelos Festivais de Bayreuth e por Houston Stewart Chamberlain, o genro de Cósima (Liszt) Wagner.


OBRAS DE AFINIDADE COM OSCAR WILDE E BERTOLD BRECHT

Temas explosivos das obras teatrais de Siegfried Wagner se ocultavam em títulos inócuos como Sonnenflamen (Chamas Solares), e Das Flüchlein das jeder mitbekam, (A praguinha que todos herdam), obras essas que demonstram uma afinidade intelectual com Oscar Wilde, Stefan George e mesmo Bertold Brecht.

Parte de sua produção musical foi praticamente destruída, pela própria família após sua morte em 1930. E Siegfried Wagner é hoje mais lembrado pelas representações das obras de seu pai em Bayreuth em que produziu novos estilos de encenação. Nesse afã foi seguido por seus filhos Wieland e Wolfgang em termos de produções modernas, simbolistas, com cenários despojados, movimento cênico reduzido, forte caracterização e iluminação enfática, fatores passíveis de interpretações políticas.


Autor Aristides A. J. Makowich movimento.com


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27/ 07 Estereótipos

Curiosidade

O estereótipo de cada musicista



Recebemos esta listagem de estereótipos de musicistas.

Claro que é uma grande brincadeira, mas é muito engraçada.


Maestro - Sujeito magro, porte austero. Veste-se muito bem, adoraria usar roupas mais confortáveis, mas a imagem não permite. Oculos é obrigatório. Careca (ou quase). Um cara normalmente chato, aquele que só é convidado para o "choppinho de depois do concerto" por obrigação. Olha a todos de cima, mas adoraria ser popular. Suas piadas não têm graça nenhuma, mas todos riem. Em suma, é o idolo do violinista, mas, no fundo
no fundo, admira o trompetista. Carro preto ou prateado do ano.

Oboísta - Todo oboísta queria ser maestro, mas a timidez o impede. Sempre muito reservado, necessita ter tudo sob controle. Perfeccionista por natureza.
Dedos finos e cabelo sempre bem alinhado. Fica sempre meia hora depois do ensaio, limpando o instrumento. Vai à manicure, mas é segredo! Seu momento de glória é dar o Lá para afinar a orquestra.

Violinista - Alto, sempre com um pinta de importante. Adoraria ser maestro, mas acha uma posição muito inferior ao seu talento. Considera-se o mais importante da orquestra e tudo que diz reforça essa tese. Antes do ensaio, toca sempre partes do concerto de Brahms, para impressionar os outros violinistas. Quando o maestro chama a atenção de outro naipe, o violinista sempre dá um sorriso sarcástico, quase
imperceptível. Sai de cada ensaio com o orgulho de "dever cumprido" e vai para casa - um apartamento minúsculo -, onde uma foto da mãe está acima do espelho gigante na sala.

Violoncelista - É um cara legal. Um amigo para toda hora, mas muito fofoqueiro. Sabe da vida de todos da orquestra. Adora tocar solos de violino nos harmonicos só para irritar os violinistas. Loiro, o cellista é mais charmoso do que bonito. Acha-se um
privilegiado por não ter que levantar no final do concerto e é vaidoso.

Violista - É o coitado da orquestra. Introvertido, olhar triste. O maestro nunca lhe
chama a atenção: afinal a parte a viola não tem importância mesmo. Começou na música com sonhos ambiciosos de ser um violinista de sucesso, mas por falta de talento ou estudo trocou para a viola e, desde então, é um frustrado. Juntamente com o pianista
acompanhador, é um suicida em potencial, mas sem coragem para o ato. Carrega sempre o estojo surrado com a viola e sempre responde com um sorriso amarelo a pergunta "você toca violino?". Um segredo: todo violista tem um bom coração, mas ninguém percebe.

Contrabaixista - Baixinho e temperamental. Escolheu o contrabaixo para "impor respeito", mas o tiro saiu pela culatra. Estuda somente nos ensaios, a não ser que tenha que tocar uma peça barroca, onde é o único a tocar o baixo. Acha-se importante por sustentar toda a orquestra, mas na verdade sabe que ninguém o ouve. Sempre com camisa branca e cabelo curto. Toca baixo elétrico secretamente.

Violonista - O melhor amigo de todo mundo. Companhia perfeita para o choppinho da tarde. Rabo de cavalo e óculos escuros são pré-requisitos. Relaxado e "eclético", mas odeia ser chamado de guitarrista. Tem vários amigos e várias namoradas. Jura que toca
um instrumento clássico, mas não hesita em aceitar fazer "cachê" em barzinho de bossa nova. Passat velho ou bicicleta.

Pianista acompanhador - Olhar cabisbaixo, terno preto e surrado. Cabelos castanhos e despenteados. Carrega sempre uma pastinha com partituras. Odeia cantores, afinal "Não sabem contar". Autoestima em baixa, é um suicida em potencial. Jura que nunca mais
vai aceitar tocar "em cima da hora", mas sempre aceita uma emergência. Vive com a esperança de que alguém finalmente reconheça seu trabalho duro - o que nunca
acontece.

Pianista solista - Cabelo preto e curto. Sempre ocupado porque precisa "estudar". Nunca vai a festas, e, quando aparece, vem sozinho e sai mais cedo. Quando olhamos em seus olhos, nunca sabemos o que está se passando pela sua cabeça. Tem um papo agradável, mas é um alienado em relação a assuntos extra-musicais. Adora comparar gravações de outros pianistas. Tem sempre uma ou duas cantoras apaixonadas por ele, mas está sempre muito ocupado para relacionamentos. Admirado pelos violinistas, acha tocar música de câmara uma perda de tempo.

Organista - Cabelos completamente desalinhados, barba por fazer. Sempre correndo de um lado a outro carragando dezenas de partituras fora de ordem. Vive num mundo à parte. Óculos somente para leitura. Roupas amassadas e surradas. Um desavisado diria que é um professor de química ou um gênio incompreendido. Odeia pianistas. Solitário, mas fala pelos cotovelos, quando o assunto é dedilhado ou afinação da Renascenca.
"Deus é Buxtehude, Bach já foi prostituído pelos pianistas."

Harpista - Mulher, magra, e bem branca, com cabelos desalinhados. Muito tímida, nunca é vista entrando ou saindo dos ensaios, mas está sempre lá. Usa sempre vestidos compridos e meio "fora de moda", mas tem um sorriso simpático. Seu carro tem vários
adesivos com harpas por todo lado. Adora chat rooms. Ninguém conhece seu namorado, mas ele está sempre por perto para colocar a harpa no carro depois do concerto.

Trombonista - Cabelo castanho e um pouco acima do peso. Sempre com uma piada na ponta da língua, o trombonista adora churrasco e a companhia de amigos. Adora Mahler, acha Beethoven meio devagar e morre de medo do Bolero de Ravel. Tem pelo menos um cachorro
em casa e sempre que pode coloca um glissando só pra "dar um toque especial".

Trompetista - Adora sair para tomar cerveja com os amigos. Chega sempre atrasado no ensaio, mas nunca ninguém percebe. Os churrascos são sempre na sua casa. Se o maestro não está presente, fica sempre tocando a nota mais aguda possível para se mostrar. Tem os lábios rachados e usa isso para paquerar. Está sempre andando pelos bastidores fazendo "prrrrrrrrrft" com seu bocal.

Soprano - Gorda e metida não são adjetivos educados para se caracterizar uma soprano. Elas são avantajadas fisicamente e temperamentais. Têm que ser o centro das atenções - no palco e fora do palco. São invejadas pelas contraltos e adoram isso. São amantes
excelentes, péssimas esposas. Se vestem com roupas chamativas, adoram chapéus. Preferem champagne ao vinho e não sabem ler partitura: afinal aprendem tudo com o "ouvido maravilhosos que Deus lhe deu". Andam sempre acompanhadas de seu pianista-acompanhador preferido, que chamam de "maestro".

Tenor - Bem apessoado, jovem, bonito, charmoso e gay. Anda sempre com roupas modernas e na moda. Tem várias amigas e quer sempre "viver o momento". Tenta sempre parecer alegre e de bem com a vida, mas, se está de mau humor, faz questão de anunciar para todo mundo. Não toma sorvete, porque tem que "preservar a voz", mas fala sempre alto para ser ouvido do outro lado do bar. Malha regularmente, vai ao cabeleireiro e
flerta com quem passar na frente.

Contralto - Morena e muito alta. Não é muito bonita, mas se veste bem. Não gosta de sopranos, mas sua "melhor amiga" é uma. Gosta muito de flores e usa um perfume forte, mas agradável. Meio desajeitada quando anda. Odeia saladas, mas está sempre cuidando
do peso.

Baixo - Alto, cabelo preto e parrudo. Ninguém sabe o que está se passando na cabeça de um baixo - se é que alguma coisa existe atrás daquele olhar perdido. Meio devagar, para falar a verdade. Quer sempre ajudar o próximo, mesmo que isso atrapalhe sua vida pessoal. Suas meias nunca combinam, mas adora fazer papel de "vilão bem vestido" nas óperas. Come de boca aberta.

Fagotista - Magro, cabelo encaracolado. É o típico sujeito normal. Curioso por natureza. Sempre simpático e atencioso. Também é muito misterioso: nunca ninguém foi à casa de um fagotista. Somente os outros sopros sabe o nome dele. Dedos longos e
mãos finas. Lembra Sherlock Holmes no jeito de andar.

Tubista - Sujeito acima do peso, loiro e com cabelo encaracolado. Pele oleosa e bochechas vermelhas, sua feito um porco quando toca. Ri de tudo, mas raramente entende uma piada. Gosta de comer bastante e não tem namorada.

Flautista - É o violinista das madeiras, mas não tão metido. É perfeccionista, mas sabe que o mundo não é perfeito. Adora Debussy e fica horas ouvindo suas proprias gravações. Enxerido, dá palpite até no dedilhado do trompista. Vive num mundo à parte
e cuida da flauta como se fosse sua filha. É o único que não acha o som do piccolo irritante.

Clarinetista - É um cara engracado. Veste-se bem, mas não é vaidoso. Pode ser loiro ou moreno. Toca com as sobrancelhas e é mais esperto do que inteligente. Adora ficar chupando a palheta enquanto não toca, mas, se desafina, joga a palheta fora. Não
agüenta mais tocar o início da Rapsody in Blue para os outros músicos atrás do palco.

Percussionista - Magro com bracos longos, o percurssionista se gaba de tocar "mais de 20 instrumentos diferentes" e "tirar música de qualquer lugar", mas, por alguma razão incompreensível, sempre entra na hora errada - "culpa da orquestra que está arrastando o tempo" ele diz. Toca bateria numa banda de garagem escondido e acha o Bolero de Ravel um saco, mas sempre fica nervoso antes de apresentá-lo. Nos ensaios é sempre o primeiro a ir para casa e nos concertos sempre o último e ainda fica resmungando por
ter que "desmontar" o "equipamento". Um cara legal que acha qualquer sinfonia clássica "cachê fácil" e jura que existe uma técnica especial de se tocar triângulo.

Trompista - Um cara discreto. Não fala muito. Tem trauma de falhar notas, por isso está sempre desmontando o instrumento para tirar a "água" durante o concerto. A parte do palco em volta da sua cadeira está sempre molhada. É sempre o último a afinar o
instrumento antes do maestro entrar e, de vez em quando, ainda toca um "Fazinho" durante os aplausos só para conferir. Está sempre olhando para o fagotista para saber a hora certa de entrar: afinal não consegue contar mais de 20 compassos em branco. Nunca reclama quando lhe chamam a atenção, mas é quase certo que faz gestos obcenos com a mão que está escondida no instrumento. Tem pesadelos antes de apresentações com
o concerto para piano de Tchaikowsky.



Autor Bernardo Scarambone  movimento.com


Iara Alagia Violinista Iara Alagia Violinista foi desenvolvido por INVENTA Design