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Categoria: Histórias

12/09 Schumann

  

Calendário Histórico | 12.09.2008

1840: Robert Schumann

 desposa Clara Wieck

O casal Schumann Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  O casal Schumann  

No dia 12 de setembro de 1840,

 o compositor se casa

 com Clara (1819-1896),

apesar da resistência do pai,

 o pianista Friedrich Wieck.

Um capítulo marcante para um dos casais

 menos convencionais da história da música.

Casa onde morou Schumann, em ZwickauBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Casa onde morou Schumann, em ZwickauRobert Alexander Schumann (1810-1856) nasceu em Zwickau, Saxônia. Na qualidade de editor e escritor, seu pai lhe proporcionou contato com a fina flor da literatura da época, de Lord Byron e Jean Paul a toda uma legião de poetas. Robert começara a estudar piano relativamente tarde, aos oito anos, sem demonstrar talento pronunciado. Em 1826, após a morte do pai, foi enviado a Leipzig para cursar Direito.

Uma carta à mãe, em 1829, marca a guinada surpreendente na trajetória do jovem intelectual: "Cheguei à conclusão de que, com trabalho, paciência e um bom professor, seria capaz de ultrapassar qualquer pianista num prazo de seis anos. Além disso, tenho imaginação e talvez habilidade para um trabalho de criação individual". No ano seguinte, anotaria em seu diário: "Sou excelente em música e poesia, mas não um gênio musical. Meus talentos de músico e de poeta estão no mesmo nível".

O "bom professor" era ninguém menos do que Friedrich Wieck, que se tornaria seu sogro e pior inimigo. Sob a promessa (não cumprida) de deixar de fumar charutos e, sobretudo, de beber tanto, Schumann se mudou em outubro de 1830 para a casa do mestre. De início, a segunda filha dele, Clara, pianista-prodígio de 11 anos de idade, não interessa ao jovem músico em especial.

Simbiose e destrutividade

Nos anos seguintes desenvolve-se um tumultuado romance entre Schumann e a jovem, marcado por encontros secretos e escapadas. Wieck fica horrorizado com a perspectiva de ter como genro o jovem - que agora taxa de beberrão e perdido - e se opõe com toda a autoridade paterna à ligação. Somente após uma longa batalha judicial Robert desposa Clara, em 12 de setembro de 1840.

Capa da partitura das 'Novelletten'Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Capa da partitura das 'Novelletten'O casal Schumann é possivelmente um dos mais anticonvencionais da história da música: uma mistura de simbiose, apoio incondicional e perniciosidade. Profissionalmente, Clara representou um papel complementar, quase compensatório na vida de Robert: à medida que ele era forçado a renunciar ao piano, ela ascendia como concertista. Uma carreira entrecortada, é certo, por freqüentes gestações (o casal teve oito filhos).

Alguns estudiosos chegam a classificar as notórias escapadas homossexuais do compositor durante os anos de casamento como um bem-vindo alívio para Clara. Cinismo à parte, a morte do marido foi uma libertação para ela, que pôde finalmente realizar seu brilhante destino de pianista, Clara Schumann sobreviveu ao marido ainda 40 anos, e continuou tocando em público até março de 1891. Ela faleceu em 20 de maio de 1896 em conseqüência de um derrame, aos 77 anos de idade, em Frankfurt do Meno.

 

Augusto Valente Deutsche Welle

 

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Categoria: Histórias

13/09 Kurt Masur

  

Kurt Masur:

 mais de 40 anos

no primeiro escalão da

música

Kurt Masur Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Kurt Masur  

Regente de 81 anos ostenta honra

 rara para um músico:

 já por duas vezes foi cogitado para

presidente.

 Decidido, político, brilhante,

seu elixir de vida

está na música.

"Se eu parar amanhã, vocês vão ler

 meu necrológio".

Quem vivencia Kurt Masur regendo um concerto, por exemplo, uma sinfonia de Beethoven, não consegue crer que ele já tenha 81 anos de idade. Concentrado, em constante contato visual com os músicos, seus movimentos comunicam alta tensão, elã e entusiasmo absoluto pela música.

Ao lado do violinista Ruggiero Ricci (e) em 1971, na Komische Oper de BerlimBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Ao lado do violinista Ruggiero Ricci (e) em 1971, na Komische Oper de BerlimHá mais de 40 anos, o maestro alemão está entre os mais importantes chefes de orquestra do mundo. Ele nasceu em 18 de julho de 1927 em Brieg, na Baixa Silésia (hoje Brzeg, Polônia) e estudou piano, composição e regência em Leipzig. Interrompendo os estudos prematuramente, partiu para ganhar experiência em diversos teatros da antiga República Democrática Alemã (RDA).

Masur trabalhou em Halle, Erfurt, Schwerin, assim como na Komische Oper, de Berlim Oriental, nas funções de co-repetidor e regente. Em 1967, assumiu a direção da Filarmônica de Dresden, três anos mais tarde retornou a Leipzig. Como titular da Orquestra Gewandhaus celebrou a partir de 1970 êxitos internacionais, logo se tornando o mais aclamado maestro da Alemanha Oriental.

Cogitado para presidente

Com a 'Nona' de Beethoven Masur encerrou em 1996 26 anos à frente da GewandhausBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Com a 'Nona' de Beethoven Masur encerrou em 1996 26 anos à frente da GewandhausAté 1997, Kurt Masur deu mais de 900 concertos com a orquestra de Leipzig. O que não o impediu de engajar-se politicamente por seu país. No final de 1989, por ocasião dos "Protestos de Segunda-Feira" contra o regime comunista em Leipzig, e ladeado por outras personalidades locais de destaque, o músico assim se dirigiu ao poder estatal:

"Nossa preocupação e responsabilidade comuns nos trouxeram até aqui, hoje. Somos afetados pelas ocorrências em nossa cidade e procuramos uma solução. Apelamos urgentemente à sua sensatez, para que o diálogo pacífico seja possível."

Sua corajosa atuação num momento decisivo da história alemã o envolveu numa aura de "salvador de Leipzig". Numa distinção raramente concedida a um músico, Masur foi cogitado para o cargo de presidente da RDA, de que, contudo, declinou. Em 1993, seu nome foi igualmente cogitado para chefe de Estado da Alemanha unificada.

Concertos para corações solitários

À frente da Orquestra Filarmônica de Nova York, em 2001, em BraunschweigBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  À frente da Orquestra Filarmônica de Nova York, em 2001, em BraunschweigEm 1991, ele assumiu a direção da Orquestra Filarmônica de Nova York, que manteve até 2002. Neste período, desenvolveu uma estrutura de programa especial extremamente bem recebida, não apenas pelos nova-iorquinos como em todo o país. Ele descobriu a receita secreta durante um passeio solitário pela Big Apple.

"E aí descobri que, na verdade, Nova York está cheia dessas pessoas solitárias e decidi estruturar meus programas de tal modo que cada um que vá ao concerto tenha algum motivo para dizer: me senti em casa", revelou o maestro.

O amor no Brasil

São poucos os lugares do mundo aonde Masur não haja levado sua música. Porém, os laços afetivos com o Brasil são especiais: foi lá que conheceu, em 1974, sua terceira esposa, a soprano japonesa Tomoko Sakurai, na época violista da Orquestra Sinfônica Brasileira. O atual diretor artístico da OSB, Roberto Minczuk, foi pupilo de Masur, e o maestro alemão retorna ao país com relativa freqüência.

Neste meio tempo, Kurt Masur transferiu seu local de trabalho do Rio Hudson para o Sena, e dirige a Orquestra Nacional da França. De vez em quando, brinca com a idéia de se recolher à vida privada. Porém, no momento, a sua agenda está bastante cheia, o que Masur não acha nada mau.

"Espero poder ir diminuindo o ritmo gradualmente. Se parar amanhã, muito brevemente vocês estarão lendo o meu necrológio, pois a música faz parte de meu elixir de vida. E não se trata do vício do sucesso."

 

(kg/av) Deutsche Welle

 

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13/09 Kurt Masur: sobre Beethoven

"A música de Beethoven reflete,

 até o fim, a vontade de viver"

Bonn: concertos no telão em praça pública Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Bonn: concertos no telão em praça pública  

Um dos pontos altos do Beethovenfest 2008

 é a execução do ciclo completo das sinfonias

do compositor com a Orquestra Nacional da França

sob a batuta de Kurt Masur.

Uma entrevista com o maestro alemão de 81 anos.

Deutsche Welle: Por que o senhor se impõe o desafio de executar todas as nove sinfonias de Ludwig van Beethoven em quatro dias?

Kurt Masur: Sempre que falam de Beethoven, as pessoas acreditam ter formação musical. "Sim, um grande compositor, claro, e..." Ao entrar em detalhes, muitos vêem Beethoven freqüentemente como distração, intérprete das idéias da Revolução Francesa, com bocarra de leão e gestos combativos - e de humor aparentemente limitado. Minha meta é fazê-las entender como ele começou com sua primeira sinfonia. Nos termos de hoje em dia eu diria: tão mal comportado quanto possível.

Como concebeu este ciclo? Há algo assim como um arco total?

Claro que é um arco. É mesmo um pouco trabalhoso escutar as sinfonias número um, dois e três em uma noite. Porém, as duas primeiras são um pouco mais curtas e Beethoven só alcançou uma forma sinfônica verdadeiramente pessoal com a terceira.

E é isto o que quero demonstrar através deste exemplo: quem assiste o concerto compreende perfeitamente que a leveza, a poesia, o humor da primeira não têm absolutamente nada a ver com a terceira. E a declaração humanista da terceira, cuja dedicatória original era a Napoleão, como sabemos, e que foi rasgada por Beethoven, irado porque não queria se identificar com um imperador e com alguém que oprimia as pessoas.

Para mim, é decisiva a questão: até aonde vai nossa obrigação, como intérpretes, para com um ouvinte que ao primeiro acorde deseja perceber o espírito dessa música? Devo dizer: a Orquestra Nacional da França me deixa feliz. Nos preparativos, nos ensaios, estivemos à beira da exaustão, pois as sinfonias de Beethoven não são tão fáceis de tocar. Não se pode tocá-las com leveza, mas sim com seriedade. E é preciso levar o humor a sério, e possuir a rapidez com a qual Beethoven súbito muda o temperamento. Estas são coisas que queremos levar até o público. Senão é, enfim, "ah, o velho Beethoven, já conhecemos tudo mesmo".

O senhor descobre ainda hoje em dias coisas novas em Beethoven?

Sempre. Não sabemos mais como os grandes solistas introduziam os temas musicais. E hoje há poucas exceções. Um Yo-Yo Ma, Lisa Leonskaia, Anne Sofie Mutter, eles sentem algo, preparam-se internamente para executar o próximo tema. E é daí que vem o encantamento da platéia.

Como explicar hoje Beethoven às pessoas? Isto é sequer possível?

A música de Beethoven é tão rica. Na realidade, não há nenhum sentimento humano que ela não tenha expressado. Seja Die Wut über den verloren Groschen (A raiva pelo tostão perdido) ou Für Elise (Para Elise), ou todas essas pequenas peças que, sabe-se, foram obras de ocasião, para mostrar reverência a uma bela menina ou mulher - apaixonado ele esteve a vida toda, disso sabemos. A tragédia de sua vida foi, quando compunha a Segunda Sinfonia, perceber pela primeira vez que a audição falhava. Foi aí que ele escreveu o Testamento de Heiligensatdt: "Oh, homens, que me considerais incontrolável ou desagradável, só quero dizer que sofro".

Público vai às ruas em Bonn assistir a concerto sob a batuta de Kurt MasurBildunterschrift: Público vai às ruas em Bonn assistir a concerto sob a batuta de Kurt Masur

A outra chave é a Carta à Amada Imortal, despedida de uma das mulheres com que tivera contato nessa época, em Teblitz. Ela não foi enviada, mas existe como documento. Quando executei a Oitava agora em Paris com a minha orquestra, contei aos músicos: "Vejam, Beethoven escreveu as primeiras oito sinfonias no espaço de pouco mais de dez anos. E após a Carta à Amada Imortal ele não escreveu durante dez anos mais nenhuma outra grande obra orquestral. Só então a Missa solene e ainda mais tarde a Nona".

Precisamos imaginar como se sentia um homem que na época realmente não ouvia nada. Ele regeu a estréia [da Nona Sinfonia], porém atrás dele estava alguém que orquestra e coro pudessem seguir, pois ele mesmo estava totalmente confuso e não tinha o menor controle. Um homem que consegue a façanha de, no fim da vida, mais uma vez escrever uma mensagem para a humanidade. Ele se sentia importante o suficiente para acreditar haver recebido de Deus a missão para tal. Nada de sinfonia da despedida, como a Sexta Sinfonia de Tchaikovsky.

A última mensagem que esse homem doente, solitário e se sentindo miserável legou à humanidade foi: Alegria, bela centelha divina. Isto é grandeza. E dá força também àqueles que apenas escutam a música e que não sabem grandes coisas, pois eles percebem que esta música é plena de superação de dificuldades, melancolia e luto, e que reflete, realmente, sempre e até o fim, a vontade de viver.

 

Birte Strunz (av) Deutsche Welle

 

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16/09 Festival Beethoven

  

Uma breve história

 do Beethovenfest

Logotipo do festival Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Logotipo do festival  

Nascido da iniciativa privada

 e de início enjeitado pelas

autoridades da cidade,

 o Festival Beethoven de Bonn se

aproxima hoje

 dos grandes festivais

internacionais.

 E logo deverá ganhar seu próprio

 teatro.

Entre os festivais da Alemanha, o Beethovenfest de Bonn é um dos mais antigos. Ao longo de seus mais de 150 anos, ele passou por altos e baixos, e nos anos 1990 quase foi encerrado, depois do deslocamento do centro político do país para Berlim. Hoje, está entre os maiores eventos internacionais do gênero.

Franz LisztBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Franz LisztLudwig van Beethoven foi e é a medida de todas as coisas para inúmeros compositores. Dentre os que o idolatravam, esteve o compositor e pianista virtuose Franz Liszt (1811-1886). Quando, 12 anos após a morte de Beethoven, descobriu que sua cidade de nascença, Bonn, não conseguia reunir os meios para um memorial em sua honra, Liszt considerou o fato "uma vergonha" e prometeu às autoridades da cidade agir a respeito.

Seis anos mais tarde, em 12 de agosto de 1845, ele cumpria sua promessa: a inauguração do monumento na praça da catedral era comemorada com um festival Beethoven. Este incluiu diversos concertos regidos pelo próprio Liszt, que também compôs uma cantata para a ocasião.

Relevância crescente

Tilman Schlömp, da organização do Beethovenfest, explica que após essa primeira festividade houve vários eventos menores. Sobretudo na década de 1920 os festivais foram bastante impulsionados, até que a cidade se desligou um pouco do Festival Beethoven, achando que poderia bem passar sem ele.

Ilona SchmielBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Ilona Schmiel"E aí os cidadãos começaram uma admirável iniciativa pelo compositor, na forma de numerosas maratonas Beethoven, ao longo de muitos anos. Até que a cidade disse: OK, nós assumimos a coisa, instalamos um diretor-geral e fazemos o festival profissional mesmo", explica Schlömp.

Nos últimos dez anos, a iniciativa em Bonn desenvolveu-se de importante evento supra-regional a festival de renome internacional. Em 2008 ele está pela quarta vez sob a direção de Ilona Schmiel (41), formada em música e gerenciamento cultural. Em face de tal sucesso, a municipalidade se ocupa dos planos para uma casa de concertos especial para os festivais, o Beethoven Festspielhaus, a substituir a atual sala Beethovenhalle.

"Claro que ainda não somos Salzburgo", admite Schlömp. Porém as conexões internacionais crescem, assim como o número de cooperações, dentre as quais a parceria de mídia com a Deutsche Welle. "E acredito que recebemos cada vez mais atenção internacional. Nota-se haver uma nova geração de músicos mais abertos ao mundo, mais dispostos a experimentar coisas novas. Creio que no momento há muito em movimento."

 

DW (kg/av) Deutsche Welle

 

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Categoria: Histórias

17/09 Beethoven e o Pop

  

Roll over Beethoven:

um clássico no mundo pop

Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:    

Chuck Berry, Kiss, Eurythmics, Die Toten Hosen:

 a lista dos músicos pop e rock que se inspiraram,

citaram ou simplesmente pilharam

a obra beethoveniana é infindável.

 Da balada romântica ao punk,

heavy metal e hip hop.

"Mi-ré#-mi-ré#-mi-si-ré-dó-lá..." Quem já estudou piano na vida, mesmo só um pouquinho, não escapa deste tema: as primeiras notas de Für Elise (Para Elise). A peça composta por Ludwig van Beethoven em 1810 é melódica, relativamente fácil de tocar e, por isto, freqüente alvo de massacre pelos pequenos gênios do teclado.

Exposição no museu Beethovenhaus, em BonnBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Exposição no museu Beethovenhaus, em BonnPorém, sua popularidade ultrapassa longe as fronteiras do clássico. Devidamente "popificada", ela tornou-se um hit do romântico pianista francês Richard Clayderman em 1979. Dois anos mais tarde, a italiana Alice vencia o Festival de San Remo com Per Elisa. Como o título não esconde, pilhada de Beethoven.

O fato de estar em domínio público e a técnica de sampleagem tornaram o gênio de Bonn acessível também à cena hip hop. Assim o rapper norte-americano Nas se valeu da aura revolucionária de Beethoven, transformando Für Elise em veículo para uma mensagem de crítica social na canção I can, de 2002.

Artista atual

O cabaretista musical holandês Hans Lieberg, o excêntrico cantor e ator alemão Helge Schneider, o duo britânico Eurythmics (I love to listen to Beethoven): todos fizeram uso do legado do grande compositor. Uma banda underground dos EUA levou a homenagem até seu próprio nome: Camper van Beethoven.

Qual será o segredo deste fascínio? O crítico de música clássica Oliver Buslau arrisca uma explicação:

"Beethoven foi o primeiro grande compositor a defender o ideal moderno do artista: 'Eu sigo meu caminho, vou de encontro às regras. Não me interessa o que o público quer, eu faço o que quero'. Os que viveram antes dele, como Mozart, estavam ainda subordinados à sociedade da corte, tinham patrões, precisavam cumprir obrigações sociais impostas. Isto que admiramos hoje nos artistas, essa atitude, Beethoven foi o primeiro a defendê-la com furor. Este espírito se faz sentir. E acho que ainda fala às pessoas, hoje em dia."

O destino da Quinta

Concerto de Chuck Berry em Cleveland, 1995Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Concerto de Chuck Berry em Cleveland, 1995Tal potencial foi reconhecido, por exemplo, pela banda inglesa Electric Light Orchestra. O grupo cita em Roll over Beethoven as - possivelmente - quatro mais famosas notas de toda a música: as que iniciam a Quinta sinfonia (apelidada "Do Destino"). O título Roll over, aliás, provém de uma canção de Chuck Berry, a qual anunciava, em 1956, que o tempo dos clássicos se esgotara e chegara a hora do rock 'n' roll.

Modificado e passado pelo sequencer, o mesmo motivo musical inspirou projetos dance como o Sweetbox (Crazy), ou DJs de tecno e house, como o inglês Paul Oakenfold (1975). Buslau analisa:

"Nota-se nesta peça que a música pop - que é composta por pequenos elementos continuamente repetidos - encontrou a possibilidade de pegar este motivo e martelá-lo como um logo. Ele serve bem à música pop, por ser bem curto e marcante."

Laranja da sorte

Banda Die Toten HosenBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Banda Die Toten HosenLudwig encontrou o caminho até mesmo para a repertório da banda punk de Düsseldorf Die Toten Hosen. Um trajeto tortuoso: através da versão teatral do filme de Stanley Kubrick baseado no romance de 1962 de Anthony Burgess A laranja mecânica.

A obra-prima de Kubrick tinha status cult na cena punk, e seu protagonista, Alex DeLarge, ouve sem parar a música de Beethoven. Portanto, quando a banda foi convidada em 1988 para se encarregar da música de cena, nada mais lógico do que incluir o segundo movimento (Scherzo) da Nona sinfonia na canção Hier kommt Alex voran (Aqui Alex se dá bem).

Como explica o crooner Campino, a encomenda representou uma virada na trajetória da banda. "Foi, sem dúvida, um marco, passamos a ser assunto dos cadernos culturais. A partir daí, não havia mais retorno: éramos uma banda digna de respeito aos olhos dos críticos."

Ainda é Beethoven?

Coro de 5 mil amadores canta a 'Ode à Alegria' no JapãoBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Coro de 5 mil amadores canta a 'Ode à Alegria' no JapãoNem mesmo conjuntos de hard rock e heavy metal hesitaram em usar a música beethoveniana. O Kiss lançou mão da Sonata para piano opus 13 em dó menor (Patética) em sua balada Great expectations. E o pianista do Depeche Mode Alan Wilder não deixou de prestar seu tributo - mais para diletante - ao mestre, gravando a Sonata op. 27 - Ao luar. A mesma peça foi evocada tanto por Alicia Keys em The piano and I como pelo girl group En Vogue em Sad but true.

O quanto uma interpretação pop pode se afastar das intenções originais, isso mostram duas versões do último movimento da Nona sinfonia e hino da Europa, a Ode à Alegria: com o grupo de rock Rainbow (Live to cure) e com Miguel Ros (Ode to Joy). Ambos privam a canção de todo elemento dramático, critica o jornalista musical Oliver Buslau.

"Retirar a melodia do contexto e envolvê-la num som orquestral diluído não faz jus a Beethoven. A gente desfruta a beleza melódica, mas de forma unidimensional. E isso não tem a ver com a idéia original do compositor."

 

DW (rk/av) Deutsche Welle

 

Iara Alagia Violinista Iara Alagia Violinista foi desenvolvido por INVENTA Design