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Categoria: Histórias

20/09 Beethoven

  

Beethoven:

criado de muitos patrões?

Monumento ao compositor em Viena Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Monumento ao compositor em Viena  

Qual era a relação entre Beethoven e os nobres?

Financeiramente dependente deles,

o músico sonhava com liberdade e revolução.

Uma história de desilusões e ambivalências.

O Beethovenfest 2008, sob o slogan "Poder.Música", questiona o papel desempenhado pela música em tempos sem liberdade, e como os poderosos se servem dela. E convida a mais uma pergunta: qual era a relação do próprio compositor com a nobreza? Dividido entre sustento e desapontamento, ele criou obras até hoje representativas da idéia de revolução. Mas terá ele sido criado de patrões demais?

Prometeu

Ainda em vida, a obra de Ludwig van Beethoven o elevou à categoria de mito. Ele se tornou o modelo do artista romântico, assim como do desejo de se libertar tanto de formas musicais como de concepções obsoletas do mundo.

O mestre de Bonn se tornou uma figura de identificação musical numa fase de reviravolta política, da era aristocrática para a burguesa. Ao escrever música para o balé As criaturas de Prometeu, Beethoven já se dedicava em 1801 a um tema altamente atual.

O semideus da mitologia grega Prometeu, portador da luz e patrono da humanidade, era o símbolo do Iluminismo e personificação mítica da revolução. Napoleão Bonaparte era considerado o "Prometeu moderno".

Entre dependência e desprezo

Beethoven e Goethe encontram a família imperial em 1812Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Beethoven e Goethe encontram a família imperial em 1812Durante toda a vida, o músico alemão esteve dividido entre servir e desprezar a nobreza, entre o anseio pela revolução e a resignação. Sua atitude perante os poderosos foi sempre ambivalente. Entre esperança na nobreza e desilusão em relação a ela, oscilou todo o trajeto da vida de Beethoven.

Nascido em 1770, filho de um tenor da corte do príncipe eleitor, o menino-prodígio já era exibido à aristocracia aos 8 anos de idade. Aos 19, protestava pela primeira vez: o piano da corte era ruim, impossível tocar nele, afirmava. Era o ano da Revolução Francesa.

Porém a vida de um instrumentista e compositor era, na época, subordinada à corte e à Igreja. A convite do veterano Joseph Haydn, o jovem vai estudar em Viena. E resolve permanecer na cidade imperial, embora o príncipe eleitor de Bonn jamais o haja liberado oficialmente dos serviços de sua corte.

E Beethoven se tornou o queridinho da nobreza vienense. Graças a ela, foi um dos primeiros músicos verdadeiramente autônomos, independentes de postos na corte ou eclesiásticos. O Barão van Swieten, os príncipes Liechnowsky, Lobkowitz e Kinsky lhe pagavam respeitáveis benefícios anuais e pensões vitalícias. Beethoven foi ainda professor de piano do arquiduque Rudolf, para quem escreveu o Concerto triplo em dó maior opus 56, para violino, violoncelo, piano e orquestra.

Em torno de Napoleão

Embora quase exclusivamente financiado pelos nobres, Beethoven era extremamente desrespeitoso com eles. Considerando-se um cidadão livre, tachava seus mecenas de "ralé aristocrática" e os tratava de forma coerente com essa opinião.

Em Viena, era notório o entusiasmo do compositor pelas idéias liberais e pelo inimigo público número um, Napoleão. E no entanto, Beethoven escapou à censura e à polícia secreta austríaca. Em liberdade quase absoluta, até mesmo compôs em 1803 uma homenagem sinfônica a Napoleão: a Sinfonia nº 3, opus 55 (Heróica).

Montagem de 'Fidelio' na Ópera de Leipzig, 2005Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Montagem de 'Fidelio' na Ópera de Leipzig, 2005Apesar de fanático pela liberdade, o músico estava longe de ser um observador arguto da situação política. A virada de Napoleão, de herói revolucionário para absolutista, o consternou. Ao saber que o general francês se fizera coroar imperador, Beethoven rasgou a homenagem original da Heróica e dedicou a sinfonia a seu mecenas príncipe Lobkowitz, um nome representativo do Ancien Régime.

No ápice da fase antinapoleônica, o compositor escreveu em 1813 uma peça de guerra. Com A vitória de Wellington ou a Batalha de Vitoria, Beethoven se torna de um só golpe popular também entre a burguesia vienense. O elaborado espetáculo bélico-musical descreve em sons a derrota das tropas francesas pelo marechal inglês Arthur Wellesley, duque de Wellington, na cidade de Vitoria, no norte espanhol. Era o início da derrocada de Napoleão.

Fidelio

"Nada além de tambores, canhões, miséria humana de toda sorte", exclamou Beethoven por ocasião da investida militar contra Viena, em 1809. Ele era um pacifista decidido, como fica claro em sua representação sonora de batalhas.

O músico reagiu ao Congresso de Viena de 1815, que definiria a nova ordem política na Europa, com a monumental cantata Der glorreiche Augenblick (O glorioso momento). Para ele, tudo o que contava era a vitória sobre Napoleão, o rebaixamento da França e a esperança na segurança e na liberdade reconquistadas.

Já em 1805, Beethoven denunciara a tirania e a ditadura em sua única ópera, Fidelio (de início intitulada Leonore). Entre os alvos desta crítica, estavam sem dúvida os invasores franceses de Viena.

Ode à Alegria

Frontispício da partitura da 'Nona sinfonia'Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Frontispício da partitura da 'Nona sinfonia'Desde a ditadura napoleônica, Beethoven não mais acreditava que rebelião corajosa e revoluções pudessem reverter hierarquias e depor tiranias. Quase todas as suas obras foram dedicadas a patronos nobres, quem quer que fossem.

Durante a vida inteira, ele serviu aos poderosos, vendendo-lhes sua música. E ao mesmo tempo sonhava com a independência em relação a eles. No fim da vida, realizou este sonho na Nona sinfonia, integrando nela a Ode à Alegria de Friedrich Schiller.

Um monumento humanista feito de sons, embora o dedicando da sinfonia seja o rei Frederico 3º da Prússia. Em 1824 a Nona sinfonia é estreada. Três anos mais tarde, morre Ludwig van Beethoven.

 

Dieter David Scholz (av) Deutsche Welle

 

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Vídeos

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{youtube}N3WOVnTz-Yo{/youtube} Vivo per lei

 


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05/08 Mozart x Salieri: uma competição excepcional

O Imperador José II da Áustria, reinava em Viena ao tempo em que Mozart para lá se mudou e o compositor oficial da Corte era Antonio Salieri (1750-1825), considerado o grande rival de Amadeus.

Muito já se escreveu sobre Salieri transformado erroneamente no assassino de Mozart no filme Amadeus - mera fantasia baseada na ópera "Mozart e Salieri" de Rimsky-Korsakov, nos idos do século XIX. José II era dado a promover oecompetições musicais excepcionais, que por duas vezes envolveram Mozart.

A primeira, quando competiu com Múzio Clementi (1752-1832) e foi por este derrotado num concurso de piano; e a segunda, quando concorreu com Salieri.

Este tornou-se rival de Mozart, mas essa rivalidade deu-se apenas no plano musical, uma vez que Salieri defendia a ópera italiana, vigente na época, e Wolfgang Amadeus pretendia lançar as bases de uma ópera falada em alemão. Isto só ocorreria anos mais tarde com a ópera "Der Frteischitz" de Carl Maria von Weber.

Na vida particular Salieri admirava Mozart, o qual considerava um gênio, tendo participado ativamente da apresentação de várias obras deste último. Consta que certa feita Salieri se referiu a Mozart dizendo: "Você é Deus!".


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Músicas


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14/02 Mendelssohn e Kurt Masur

  

Maestro Masur:

 paladino de Mendelssohn em Leipzig e no mundo

  Kurt Masur Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Kurt Masur

A ideologia nazista baniu a música do judeu Mendelssohn e apagou seus traços da

cidade onde viveu os últimos anos.

Com concertos e monumentos, um regente de fama mundial se bate há décadas para

 corrigir esta distorção.

 

Felix Mendelssohn-BartholdyBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Felix Mendelssohn-Bartholdy

Felix Mendelssohn-Bartholdy é um dos grandes compositores do século 19, cuja obra é tocada nas salas de concerto de todo o mundo. Entretanto seu significado é especial para a cidade de Leipzig, no Leste alemão. Lá ele foi regente importante da Orquestra da Gewandhaus; fundador do Conservatório, atual Escola Superior de Música e Teatro e, por último, mas não menos importante, redescobridor da obra de Johann Sebastian Bach.

Todos estes méritos parecem suficientemente óbvios. Entretanto, o fato de serem reconhecidos hoje deve-se, sobretudo, ao trabalho de Kurt Masur, lenda musical viva e há longos anos maestro titular da Gewandhaus.

A sedução do proibido

Alemanha, no final da década de 1930. Enquanto o governo nazista arrastava o país à guerra mundial, Kurt Masur passava uma infância despreocupada em Brieg, Silésia (atualmente Brzeg). Seus pais gozavam de modesto bem-estar, graças ao negócio familiar de eletrodomésticos, e ofereceram um sólida formação musical ao menino. Foi durante esta que ele entrou em contato com a música mendelssohniana, de forma bastante emocionante.

Aos dez anos, quando Kurt começava a dominar melhor o instrumento, sua professora de piano lhe disse, certo dia: "Vou lhe dar as Canções sem palavras de Mendelssohn, mas você vai ter que fechar as janelas, para que ninguém o ouça, pois é música proibida". Atraído por um argumento como este, é claro que o interesse do garoto foi imediato.

No início da década de 50, Masur iniciou o estudo de regência na Escola Superior de Música de Leipzig, que a partir do final da guerra retomara o nome de seu fundador, Felix Mendelssohn. Juntamente com quatro outros estudantes de regência, o jovem fundou um grupo de música de dança, a fim de ganhar uns marcos-extra.

"Nós nos intitulávamos 'Mendelssohn-Rhythmiker'. Mas aí a coisa ficou séria, quando começamos, é claro, a estudar as sinfonias de Mendelssohn e outras coisas, canções que nos fascinavam. E aí dizíamos: 'Caramba, por que isso foi proibido?'"

À altura de Beethoven

A GewandhausBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  A Gewandhaus

Depois de formado, Kurt Masur passou a reger em Halle, Erfurt, Schwerin e na Komische Oper de Berlim. Em 1970, foi convocado como titular da ilustre Orquestra da Gewandhaus, em Leipzig - e, por assim dizer, sucessor de Mendelssohn. A partir daí, ocupou-se intensamente da vida e obra do compositor, percebendo que o banimento e desprezo durante a época nazista ainda se faziam sentir.

Acima de tudo, Masur não entendia que o músico de origem judia fosse apenas "meio" celebrado, e não, por exemplo, à altura de um Beethoven. "Eu queria mudar isso, desde o início! Não havia turnê com a Gewandhaus em que eu não incluísse Mendelssohn no programa."

Através do maestro, a Gewandhaus se transformou, nas décadas de 1970 e 1980, na mais importante instância de preservação da música mendelssohniana na Europa. Começava uma renascença de suas obras, a qual, contudo, de início se limitou apenas à RDA; no oeste da Alemanha e na Europa Ocidental, os interesses eram bem outros.

Religiosidade para além das confissões

Com a colaboração de musicólogos, Masur descobriu e apresentou uma série de obras até então desconhecidas do músico hamburguês, como, por exemplo, as sinfonias de juventude. Sua constatação: "Caramba, este compositor tinha que ocupar o mesmo posto que Beethoven. Por exemplo, só posso comparar o [oratório de Mendelssohn] Elias com a Missa solene [de Beethoven]. Ele tem a mesma força, a mesma moral, a mesma postura em relação a Deus".

O maestro dá grande importância ao fato de Felix Mendelssohn-Bartholdy não ter sido cristão "no sentido rotineiro", mas sim por convicção, acreditando que "a fé em si, independente da confissão, transforma as pessoas em pessoas melhores". Tudo o que escreveu seria no sentido de unir as diferentes religiões do mundo.

Masur vê questionamentos religiosos, por exemplo, também na cantata Primeira noite de Valpúrgis, baseada em Goethe. "O que ele realmente queria dizer era: por que vocês se batem uns contra os outros? Por que se matam?"

Artista responsável

Reprodução da sala de estar do compositor, na prefeitura de LeipzigBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Reprodução da sala de estar do compositor, na prefeitura de Leipzig

Após a queda do regime comunista no Leste do país, no outono de 1989, e a reunificação da Alemanha no ano seguinte, Masur ampliou ainda mais seu engajamento por Mendelssohn, logo coletando doações para erigir-lhe uma estátua diante da Gewandhaus.

Também graças a contribuições de todo o mundo, o monumento original, destruído pelos nazistas em 1933, pôde ser reconstruído em 2009, e se encontra diante da Igreja de São Tomás, frente a frente com a estátua de J.S. Bach, cofinanciada por Mendelssohn.

"Esta é uma prova de como esse homem tentava penetrar na ordem das coisas, de quão bem ele avaliava o poder da música. E como se sentia responsável - ao ocupar um posto como o de mestre-de-capela da Gewandhaus - por influenciar o desenvolvimento e a formação das pessoas."

Conquistas palpáveis

Sala de trabalho de MendelssohnBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Sala de trabalho de Mendelssohn

Especialmente por este motivo, Kurt Masur insiste que o compositor esteja mais presente na consciência dos alemães. No início dos anos 90 ele se empenhou, em parte com seus fundos pessoais, pela restauração da antiga casa de Mendelssohn em Leipzig, então apenas uma ruína, condenada à demolição. Uma grande descoberta e menina dos olhos de Masur são as pinturas nas paredes, do punho do próprio Mendelssohn.

Hoje, as dependências fielmente reconstruídas contam entre as principais atrações turísticas da cidade, constando do "Livro Azul" do patrimônio cultural do Leste alemão. Um sucesso palpável do empenho de Masur pelo compositor.

"Um presente deste ano Mendelssohn será que todos poderão dizer: agora temos em Leipzig suficientes 'mendelssohnianos', como um monumento. Não se pode mais passar e dizer: 'Quem é esse aí?' E sim se reconhecerá logo: 'Caramba, Leipzig é uma cidade-Mendelssohn, e não só uma cidade bachiana'."

 

Claus Fischer (av)  Deutsche Welle


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