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Categoria: Histórias

03/09 Beethoven

Beethoven entre mito e

 homem:

o grande mal-entendido

A cada qual, o seu Beethoven Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  A cada qual, o seu Beethoven  

Ele era surdo, sempre mal-humorado,

sem jeito com as mulheres.

Uma imagem que

 se encaixa quase bem demais

 no ideal do artista romântico:

 solitário, sofredor, porém genial.

 Até que ponto é este o Beethoven

 verdadeiro?

Primeiro, ele jogou vários livros na cabeça de um criado; em seguida, uma poltrona. De arrependimento, nem sombra. "Só assim tive sossego o dia inteiro." E quando um príncipe opinou que em vez de três fagotes bastavam dois, ele respondeu: "Se Sua Alteza assim quer instrumentar, estou cagando". Empregados, a nobreza, seus editores: todos ouviam dele poucas e boas. Um dos biógrafos de Beethoven o intitulou "o gênio grosseiro".

"Van Beethoven, proprietário de cérebro"

Beethoven em 1804, retratado de Joseph MaehlerBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Beethoven em 1804, retratado de Joseph MaehlerA maioria das informações de que dispomos sobre Ludwig van Beethoven nos chegou através de sua correspondência e de seu diário. Ao contrário do contemporâneo Johann Wolfgang von Goethe, com quem não se dava bem, Beethoven desdenhava toda forma de auto-incensamento.

Em suas cartas, fala da maldade das pessoas e das barreiras de classe que lhe impedem o contato com as damas de seu coração. Ele não se encenava como alma nobre e superior; nem mesmo os amigos poupava do peso de seu senso crítico. Certa vez, seu irmão, que adquirira um imóvel, se assinou "Van Beethoven, proprietário de bens". Ludwig replicou: "Van Beethoven, proprietário de cérebro".

Ao príncipe Lichnovsky, um de seus patronos e mecenas, escreveu: "Príncipe, o que vós sois, o sois por acaso e nascimento; o que sou, sou através de mim. Príncipes houve e ainda haverá aos milhares; Beethoven, só há um."

Beethoven para todos

As cartas de Beethoven e seu diário são como uma pedreira, da qual cada um, afinal de contas, acaba retirando aquilo de que necessita no momento. Determinadas declarações suas denotam uma atitude revolucionária; outras, uma postura elitista.

A 'Nona' no Japão: 5 mil cantores amadores entoam a 'Ode à Alegria'Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  A 'Nona' no Japão: 5 mil cantores amadores entoam a 'Ode à Alegria'Este fato, acoplado a sua estética musical inovadora, levou a tentativas de recrutamento a posteriori, em parte, absurdas. A Nona sinfonia sublinhou em 1937 o aniversário de Adolf Hitler. Também a noticia da morte do ditador foi acompanhada, no rádio, pela mesma obra beethoveniana.

Porém mesmo antes, durante a República de Weimar, Beethoven já era instrumentalizado politicamente. A direita acentuava sua suposta francofobia e via nele uma "titânica natureza guerreira". A esquerda equiparava o caráter revolucionário de sua música a seu efeito político.

Um uso que se prolongou durante a República Democrática Alemã. Após a Segunda Guerra Mundial, o compositor foi recrutado a serviço do regime comunista: Beethoven como guerreiro pela paz mundial.

Músico temperamental?

Contudo é totalmente fora de propósito procurar no próprio Beethoven metas políticas concretas. Suas declarações são díspares demais, para permitir tal coisa. Ele estava apenas preocupado com os novos caminhos da música - caminhos, aliás, que lhe traziam polpuda recompensa financeira.

Beethoven era conhecido por seu instinto para negócios. Entretanto vivia numa casa em péssimo estado, nos arredores de Viena, e pouco ligava para a própria aparência. Para seus contemporâneos, devia parecer absolutamente anticonvencional.

Ele permaneceu solteiro, vivendo para sua música: de manhã, compor; ao meio-dia, comer bem; à tarde, passear. Na percepção de muitos, ficou gravada até hoje a imagem do artista excepcional, porém difícil do ponto de vista humano. Ela é reforçada pelas centenas de quadros e bustos de um homem sisudo, de cabelos em alvoroço e olhar penetrante.

Contudo, muitas vezes a posteridade esquece até que ponto essa rispidez se devia à grande tragédia da vida de Beethoven: sua surdez.

Deficiência torturante

O aparelho de surdez do compositorBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  O aparelho de surdez do compositorLudwig van Beethoven tem pouco mais de 30 anos quando fica óbvia a impossibilidade de esconder sua progressiva deficiência auditiva. Um músico surdo?

"Meus ouvidos ribombam dia e noite sem parar", escreve. O compositor pensa em suicídio, se afasta dos outros seres humanos. Chega a redigir uma carta de despedida, que, no entanto, não envia. Nela se encontra uma das mais conhecidas frases de Beethoven sobre si mesmo:

"Oh homens, que me considerais hostil, intratável e misantropo, que injustiça cometeis comigo."  

Ramón Garcia-Ziemsen (av) Deutsche Welle

 

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Categoria: Histórias

05/09 Pesquisa

  

Fãs de

música

clássica  

 e heavy

 metal  

são   

parecidos,

 diz estudo

Ambos seriam criativos e introvertidos, segundo pesquisa escocesa.

Da BBC


Um estudo que analisa a relação entre gosto musical e personalidade sugere que há semelhanças entre fãs de música clássica e aqueles que gostam de heavy metal.


A pesquisa, realizada na Universidade Heriot Watt, em Edimburgo, na Escócia, entrevistou 36 mil pessoas. Os pesquisadores fizeram perguntas sobre características da personalidade de cada participante e pediram para que os voluntários avaliassem 104 estilos musicais.


Os resultados sugerem, por exemplo, que fãs de jazz são criativos e extrovertidos, enquanto aqueles que gostam de música pop tendem a ter pouca criatividade. Segundo o professor Adrian North, que liderou o estudo, a surpresa foi descobrir semelhanças na personalidade de fãs de música clássica e heavy metal. "São pessoas muito criativas, introvertidas e de bem consigo mesmas, o que é estranho. Como você pode ter dois estilos tão distintos com grupos de fãs tão parecidos?", afirmou North.


Ele ressalta que uma das explicações pode ser o "aspecto teatral desses estilos, que são dramáticos". "As pessoas em geral têm um estereótipo sobre os fãs de heavy metal, acham que eles têm tendência suicida, são deprimidos e representam um perigo para si e para a sociedade em geral. Na verdade, são pessoas bem delicadas", afirmou.

  Relação

De acordo com North, a pesquisa pode ser muito útil para a indústria fonográfica e para quem trabalha com marketing.


"Se você sabe a preferência musical de uma pessoa, pode dizer que tipo de personalidade ela tem e para quem deve vender", disse North.


"São implicações óbvias para a indústria da música, que está preocupada com a queda da venda de CDs." G1


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Categoria: Histórias

05/09 Beethoven

  

Beethoven chega

 

 à era digital

Casa onde nasceu o compositor agora na internet Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Casa onde nasceu o compositor agora na internet  

Nascido há mais de 200 anos,

 o gênio musical alemão Ludwig van

Beethoven chega à era

dos bites e bytes.

 Casa onde nasceu, hoje museu em Bonn,

reabre com um completo arquivo digital

online, exposições multimídia

 e uma ópera virtual.

O maior acervo do mundo sobre o compositor clássico alemão Ludwig van Beethoven, na casa onde nasceu em 1770, em Bonn, no oeste da Alemanha, está agora também disponível, através da rede, aos seus fãs e interessados do mundo inteiro.

A digitalização possibilitou colocar na internet mais de cinco mil documentos escaneados com alta resolução e qualidade, acompanhados de explicações e informações científicas acessíveis ao grande público.

Ludwig van BeethovenBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Ludwig van BeethovenEm alemão e em inglês, o internauta pode fazer passeios virtuais nos vários andares do museu, que fica bem no centro da antiga sede do governo alemão. Além disso, a casa digital de Beethoven ainda coloca à disposição partituras, manuscritos, documentos iconográficos e muitos objetos e utensílios de uso pessoal do grande compositor. Também se pode fazer um passeio virtual pela residência do compositor em Viena, onde faleceu em 1827.

Estúdio digital e palco 3D - Cerca de 1600 arquivos de áudio permitem "que o pensamento, a vida e o trabalho de Beethoven sejam visíveis e audíveis" para o internauta. A nova oferta multimídia oferece um estúdio com a coleção completa de suas obras e um palco para encenações por computador, em três dimensões.

Os personagens da ópera Fidelio, Século 21 são figuras geométricas abstratas que se movimentam entre os visitantes do novo palco em 3D.  Em quatro colunas equipadas com enormes mouses, cordas, manches (joysticks) e sensores de calor, os visitantes podem se deslocar virtualmente no ambiente. Um apurado sistema de som permite que as canções acompanhem os personagens.

Interativo e multimídia - O "palco de visualização musical" e outros componentes digitais da Casa de Beethoven foram desenvolvidos com o Instituto Fraunhofer e têm o objetivo de alcançar sobretudo o público jovem, através da interatividade e da apresentação multimedial.

O arquivo digital oferece aos internautas o acesso a manuscritos, cartas e pinturas do compositor. Apenas uma pequena parte deste acervo podia ser vista até então no museu em Bonn, pois os arquivos eram restritos a pesquisadores e músicos.

"A vantagem da Casa Digital é que podemos, ao mesmo tempo, preservar os originais, divulgar nosso acervo em todo o mundo e despertar o interesse internacional sobre Beethoven", salienta o diretor do museu, Andreas Eckhardt. Com a nova oferta, que custou cerca de 4,5 milhões de euros, o museu também pretende atrair um maior número de visitantes ao museu, atualmente em torno de cem mil ao ano.

Deutsche Welle

 

(rw)


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Categoria: Histórias

07/09 Lançamento

 

Livro Falante lança audiolivro História da Música Clássica

Este é um lançamento muito interessante. Vale a pena...

Da Idade Média a Philip Glass, Irineu Franco Perpétuo conta a história da música clássica


No próximo dia 17 de setembro, quarta-feira, das 19 às 22 horas, na Livraria da Vila na Casa do Saber, a editora Livro Falante lança História da Música Clássica.

Com texto e leitura do jornalista e crítico musical Irineu Franco Perpétuo, este audiolivro, todo ilustrado com trechos musicais, conta a história da música clássica a partir da Idade Média, com seu cantochão. Depois, explica o que era a prática da polifonia, fala dos trovadores, da Ars Nova e da escola franco-flamenga.

O autor aborda ainda a obra dos principais compositores dos diferentes movimentos musicais - Renascimento, Barroco, Classicismo e Romantismo -, e acompanha a trilha das encenações operísticas, desde as primeiras manifestações do gênero até os grandes criadores de ópera da época romântica.

Também explica com clareza o que fez cada um dos autores modernos: o controvertido Wagner e o revolucionário Debussy, além de Stravinsky, Villa-Lobos e Schöenberg, entre outros, numa história que segue pelos dias de hoje, chegando até Philip Glass. Apresentado na Bienal do Livro de São Paulo, este audiolivro foi considerado um dos melhores do mercado atual (fonte: revista Época de 25 de agosto de 2008). A Livraria da Vila na Casa do Saber fica na rua Dr. Mário Ferraz, 414, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, telefones: 3707-8900 e 3814-5811.


Irineu Franco Perpétuo escreve sobre música para a Folha de S. Paulo e a revista Bravo!. Também atua como professor, dando cursos sobre diferentes aspectos e períodos da história da música na Casa do Saber. O processo para colocar seu conhecimento em um audiolivro foi tranqüilo e fluido.

O jornalista fala sobre a história da música com clareza e objetividade, como um músico seguro de sua afinação e melodia. Para ilustrar as informações, são utilizados sessenta trechos musicais, que dão ao ouvinte a verdadeira dimensão dessa arte que tanto mobiliza a humanidade. Com uma linguagem acessível para quem não tem conhecimentos profundos na área, esta obra tem todos os ingredientes para encantar quem simplesmente encanta-se com a música.



História da Música Clássica
Irineu Franco Perpetuo
Audiolivro no formato de CD de áudio com 2 CDs (cerca de 2 horas de duração)

Leitura do autor

Preço: R$ 30,00 / ISBN: 978-85-60125-13-5

Mais detalhes no site www.livrofalante.com.br


Autor Divulgação
em 6/9/2008 movimento.com


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Categoria: Histórias

08/09 Beethoven

  

"Não há como escapar

ao poder da música"

O compositor entre a arte e o poder Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  O compositor entre a arte e o poder  

A "Nona sinfonia" está no centro

 do Beethovenfest 2008.

 De Mao aos kamikazes japoneses,

 de Hitler à Rodésia:

exemplo marcante da

 relação entre arte e política.

Uma entrevista com

a diretora do Festival,

 Ilona Schmiel.

A melodia com que Ludwig van Beethoven musicou a Ode à Alegria do poeta Schiller é singela, quase uma canção popular. Este é, sem dúvida, um dos motivos por que a Nona sinfonia alcançou tão grande popularidade e é hoje uma das peças mais conhecidas do compositor nascido em Bonn.

Entretanto poucas composições já estiveram tão na mira dos poderosos, também graças aos ideais humanistas contidos em seu texto. A Nona é um dos focos do Beethovenfest de Bonn em 2008. A DW-RADIO conversou com Ilona Schmiel, a diretora do festival.

DW-RADIO: Sra. Schmiel, como chegou ao slogan "Poder.Música" (Macht.Musik)?

Ilona SchmielBildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Ilona SchmielIlona Schmiel: A Nona sinfonia é naturalmente o estímulo para se perguntar: Como lidar com esta obra de forma representativa para todo um conteúdo programático? E esta foi a razão para colocar o festival deste ano sob o tema "Poder.Música" e perseguir os caminhos da Nona sinfonia, desde sua estréia, em 1824, até hoje. A profissão de fé política de Beethoven, essa utopia - a Ode à Alegria de Friedrich Schiller que ele musicou é, afinal, uma utopia -, ela não perdeu nada da atualidade. Ainda vivemos numa época de guerras, de repressão, de fome e muitas outras injustiças. Sem dúvida, em seu tempo, Beethoven sonhou que isso poderia melhorar. E somente este fato já é motivo para se colocar a Nona em foco.

A questão "como é possível acompanhar até 2008 o histórico de recepção" sempre me ocupou. Até porque, até onde eu sei, não há no mundo nenhuma obra que, por um lado, seja tão executada, selecionada especificamente para tantas ocasiões; e que, por outro lado, paralelo aos caminhos do triunfo, haja traçado todos os descaminhos de governos, de detentores do poder e do comando. Isso levou a uma confiscação total pela política e a um abuso dessa sinfonia para interesses políticos próprios e para statements ditatoriais.

Beethoven tinha relativamente bastante contato com os poderosos e, examinando sua obra - a sinfonia Heróica, A vitória de Wellington ou Egmont -, há uma série de peças em que ele se expressou politicamente através da música, mas de formas bem diferentes.

Essa questão - como ele se cercava de poderosos, mas ao mesmo tempo repetidamente se desvencilhava deles - foi um tema da sua vida, acho. E se coloca a pergunta: para onde leva o desenvolvimento de Beethoven através das sinfonias, através da rejeição dos governantes para uma sociedade burguesa. É um caminho que, por um lado, passa pelo incensamento dos poderosos - a exemplo de Napoleão -; por outro, ele também utilizava a sociedade burguesa, que justamente financiava suas obras e cuidava da subsistência do próprio compositor.

Por isso, creio, a atualidade dessa música é ainda hoje tão próxima e tão tocante. Pois precisamente essas questões - como lidar com as obras hoje em dia, como a música é utilizada, que pressões sofre, quão "oficial" deve ser, de modo a ser executada em certas ocasiões; mas também como ela é recrutada para, por exemplo, com um texto apropriado, ser aceita por um regime - tudo isso a Nona sinfonia já atravessou.

Quem instrumentalizou a música de Beethoven para seus fins?

A South African National Youth Orchestra no Beethovenfest 2006Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  A South African National Youth Orchestra no Beethovenfest 2006Goebbels [ministro nazista da Propaganda] sempre mandava executar a Nona sinfonia nos aniversários de Hitler. E também a República Democrática Alemã [antiga Alemanha Oriental] a escolheu como seu hino. Ela foi, portanto, permanentemente executada no Leste e no Oeste, tornou-se o hino da Europa. E, a propósito dos Jogos Olímpicos, não deixemos de mencionar que Mao utilizava essa sinfonia para motivar os trabalhadores nos campos. Os aviadores kamikaze escutavam essa música - estou pulando um pouco de uma época para a outra - e ela também foi hino nacional da Rodésia. É difícil que haja uma obra mais globalizada, creio. Entretanto ela contém essa mensagem humana, esse comprometimento com o amor ao ser humano e quase se poderia dizer: esta mensagem não é passível de ser destruída.

De que forma avalia a música de Beethoven hoje em dia, em que pé está o "poder da música"?

Para mim pessoalmente, o poder da música permanece em primeiro plano, pois quero continuar acreditando nessa utopia de que através da música se possa mudar muitas coisas. Em 2006 tivemos como convidada uma orquestra nacional de jovens da África do Sul [SANYO], na qual gente de diferentes meios pode tocar junta. A música é, portanto, também um instrumento social. E esse momento é impossível gravar em CD. Reproduzir em concerto, isso é algo exclusivo. Aí você percebe o poder musical. E acho que não há como se furtar a esse poder.

 

Klaus Gehrke (av) Deutsche Welle

 

Iara Alagia Violinista Iara Alagia Violinista foi desenvolvido por INVENTA Design